Cleitinho embaralha disputa em MG; ‘resultado indeterminado’ – diz especialista

Cleitinho intensifica crise eleitoral em Minas Gerais com resultado incerto e deslegitimado por especialistas.

Segundo levantamento Genial/Quaest divulgado nesta semana, o senador lidera os cenários em que é incluído, com cerca de 35% das intenções de voto

A indefinição sobre disputar o Governo de Minas Gerais pelo senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) gerou uma reconfiguração significativa na disputa eleitoral mineira nesta semana.

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O impasse abriu um vácuo e causou incerteza em todo o campo político da direita no estado. O Republicanos divulgou nota oficial responsabilizando o parlamentar por falhar nas articulações necessárias para viabilizar sua própria campanha, afirmando ter aguardado meses sem que houvesse qualquer decisão formalizada do lado dele.

Crise política bolsonarista expõe fragilidades

Apesar disso, a assessoria de Cleitinho Azevedo contestou os termos apresentados pelo partido semanas depois; segundo eles, ele continua sendo pré – candidato ao Palácio Tiradentes mesmo diante das declarações partidárias contrárias.

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Juarez Guimarães, cientista político e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), analisou o cenário como “indeterminado”. Ele apontou uma crise mais ampla no campo políticas associado à ala Bolsonaro em nível estadual. Segundo Juarez, há desgastes recentes envolvendo questões de corrupção ou até um imbróglio ligado a Michele Bolsonaro que complicam ainda mais as coisas na região mineira.

A desorganização do bolsonarismo

O especialista também observou essa fragilidade se espelhando fora dos limites estaduais; ele citou inclusive casos onde houve prisões várias lideranças importantes por supostas relações com crime organizado e isso afeta diretamente Minas Gerais (MG.

Para Guimarães, o cenário é marcado pela dificuldade da direita local conseguir apoio tanto de figuras como Romeu Zema quanto das principais bases políticas no estado.

Estratégia ou falta de identidade política?

Outro ponto levantado pelo cientista político foi a origem da própria visibilidade de Cleitinho Azevedo: sua ascensão ocorreu majoritariamente impulsionada pela onda bolsonarista em geral.

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Rubens Goyatá Campante, sociólogo pesquisador do Centro de Estudos Republicanos Brasileiros (CerbrasUFMG), complementou essa análise ao dizer que qualquer conclusão deve ser cautelosa e reconhecer o caráter ainda aberto dessa situação eleitoral.

Ele sugeriu uma leitura estratégica por parte do senador. Segundo Goiata, apresentar – se como vítima das circunstâncias – alegando ter sido impedido pelos “poderosos” –, pode funcionar bem já que a imagem pública dele é construída no campo antissistema.

O enquadramento da antipolítica

Goyatá também fez um paralelo histórico interessante sobre esse tipo de político brasileiro: “É representante de uma longa tradição…”, explicou em entrevista à mídia local (não citar nome), afirmando ser algo recorrente desde Jânio Quadros lá nos anos 1960 até o período Collor e Bolsonaro.

Para ele, todos esses políticos são genuinamente figuras políticas mesmo quando surfam na sensação popular chamada “antipolítica”, sentimento este frequentemente alimentado pelas classes dominantes.

Outras alternativas para a direita mineira?

O cenário ainda é movimentado pela menção ao ex – deputado Marcelo Aro do PP como possível alternativa dentro da ala de centro – direita caso as expectativas sobre Cleitinho Azevedo não se concretizem.