Cannabis manipulada pode reduzir em até 50% o custo dos tratamentos no Brasil

A nova regulamentação da Anvisa promete transformar o acesso à cannabis medicinal no Brasil, permitindo tratamentos mais acessíveis e personalizados.

O extrato “full spectrum” da cannabis é composto por canabidiol (CBD), tetra-hidrocarbinol (THC) e outros canabinoides e pode ser usado no tratamento de fibromialgia, demência e outras doenças

O setor de cannabis medicinal no Brasil vive um momento decisivo com a nova medida publicada pela Anvisa. Desde maio de 2026, o país passa a contar com um ambiente regulatório favorável para o uso do canabidiol (CBD) isolado como Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) em farmácias de manipulação, o que pode resultar em uma redução de até 50% nos custos dos tratamentos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Essa mudança representa um passo significativo na autonomia do mercado nacional, permitindo que o Brasil desenvolva uma cadeia produtiva mais eficiente e competitiva. Fabricio Pamplona, cientista especializado em canabinoides e sócio – diretor da Brascann, aponta que a nova regulamentação possibilita ao país diminuir a dependência de produtos acabados importados. “Isso cria uma oportunidade concreta para ampliar o acesso à cannabis medicinal no Brasil”, afirma.

Novas diretrizes e benefícios

A exigência de pureza mínima de 98% para o CBD utilizado como IFA é um dos principais aspectos dessa nova fase. Essa padronização garante maior precisão na dosagem prescrita e aumenta a segurança e reprodutibilidade das formulações. Com essa regulamentação, as farmácias agora podem ajustar dose, forma farmacêutica, veículo e titulação conforme as necessidades individuais de cada paciente.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“A grande transformação não está apenas no produto, mas na infraestrutura que tornará esse mercado confiável”, destaca Pamplona. Ele ressalta que agora existe controle de qualidade, educação médica, treinamento farmacêutico e abastecimento adequado nas farmácias autorizadas, fatores essenciais para garantir a eficácia dos tratamentos com cannabis medicinal.

As novas regras também ampliam as possibilidades clínicas para os pacientes. As indicações do CBD manipulado incluem condições como ansiedade, estresse, insônia e dor crônica, além de epilepsia refratária e problemas dermatológicos como acne e psoríase.

Desdobramentos regulatórios

A regulamentação da cannabis medicinal no Brasil já passou por várias etapas importantes. Em 2019, a Anvisa criou a categoria de produtos de cannabis para fins medicinais, autorizando sua comercialização em farmácias mediante prescrição médica.

Em 2022, foi regulamentada a importação excepcional de produtos por pessoas físicas.

Leia também

Recentemente, em fevereiro de 2026, foram publicadas as RDCs 1.013/2026 e 1.015/2026. A primeira estabelece critérios para cultivo, produção e rastreabilidade da cannabis medicinal; já a segunda permite o uso do CBD como IFA, desde que atenda aos requisitos de pureza.

Outra mudança significativa ocorreu em maio deste ano: a Anvisa simplificou as regras de prescrição ao permitir que formulações com baixo teor de THC sejam prescritas através da Receita de Controle Especial (RCE). Essa alteração reduz a burocracia enfrentada por médicos e pacientes ao facilitar o acesso aos tratamentos disponíveis.

Novo panorama para o setor

Com as novas regulamentações em vigor desde maio de 2026, o mercado brasileiro se prepara para uma nova etapa na cadeia produtiva da cannabis medicinal. As farmácias autorizadas agora contam com um ambiente regulado que promete oferecer insumos farmacêuticos adequados às necessidades dos pacientes.

A transformação no setor não se limita apenas aos produtos disponíveis; envolve também toda uma estrutura voltada para garantir qualidade e acesso efetivo aos tratamentos à base de canabidiol. A expectativa é que essas mudanças impactem positivamente a vida dos brasileiros que buscam alternativas terapêuticas eficazes.