Após descartar novas eleições, Ortega inicia plano para frear oposição na Nicarágua
Ortega busca consolidar seu poder ao iniciar um plano legislativo que visa limitar a oposição e garantir a continuidade de seu governo na Nicarágua.
A Assembleia Nacional da Nicarágua anunciou na terça – feira (21) o início dos trabalhos para elaborar um plano que atenda às diretrizes estabelecidas pelo presidente Daniel Ortega. Essa decisão vem após o mandatário descartar a realização de novas eleições no último domingo (19.
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Em um comunicado divulgado pela mídia estatal, o Parlamento informou que iniciará as “análises necessárias” para criar um plano alinhado com as orientações do chefe de Estado.
O documento também menciona que a Assembleia realizará sessões especiais com o Conselho Supremo Eleitoral visando promover os trâmites constitucionais e legais que sustentarão as futuras reformas. As mudanças propostas têm como objetivo garantir “a paz, a segurança, a estabilidade e a continuidade das conquistas contra a pobreza”, além de fortalecer as práticas que o governo considera “políticas, democráticas, soberanas e livres” nos processos eleitorais nacionais e locais.
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Diretrizes e planos do governo
Na nota divulgada, a Assembleia Nacional afirmou que está cumprindo os mandatos recebidos em 19 de julho, data que celebra o 47º aniversário do Triunfo da Democracia e da Liberdade na Nicarágua. A mensagem ressalta que a soberania do povo nicaraguense deve ser decidida pelos próprios nicaraguenses. “A Nicarágua triunfa em paz e unidade”, conclui o comunicado.
No entanto, no domingo (19), Ortega deixou clara sua posição ao descartar novas eleições com o intuito de impedir que a oposição assuma o poder. O presidente citou denúncias de fraudes eleitorais feitas por opositores ao longo dos anos e mencionou que muitos deles vivem atualmente no exílio.
Durante um evento em Manágua em comemoração à Revolução Sandinista, ele afirmou: “Aqui não haverá mais eleições, para que não tentem, por esse caminho, tomar o governo e o poder”.
Reação da oposição e da comunidade internacional
Ortega, ex – guerrilheiro de 80 anos que ocupa o cargo desde 2007, declarou ainda que a Assembleia Nacional irá trabalhar para aprovar leis voltadas à criação de um “muro” contra os opositores. Ele se referiu aos críticos como “golpistas” e “traidores da pátria”, afirmando: “Por mais dinheiro que os ianques (EUA) lhes deem, eles não conseguirão”.
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Vale lembrar que as eleições gerais estavam previstas para novembro deste ano, mas profundas reformas constitucionais implementadas no início de 2025 ampliaram o mandato presidencial para seis anos.
Em resposta às declarações de Ortega, Salvador Marenco, coordenador do coletivo Nicaragua Nunca Más – atuante na Costa Rica -, denunciou a retirada dos direitos civis pela administração atual. Segundo ele, a Frente Sandinista se tornou praticamente um partido único sem oposição real na Nicarágua.
Marenco destacou ainda o fechamento de mais de 5.600 entidades da sociedade civil e a cassação de partidos políticos.
Críticas internacionais
Nesta terça – feira (21), Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, expressou preocupação com a situação política na Nicarágua e pediu ação da comunidade internacional. Ele enfatizou que “o povo nicaraguense tem o direito de escolher seus próprios líderes por meio de eleições democráticas” e convocou outros países a se unirem contra as ações do governo Ortega – Murillo.
A Organização dos Estados Americanos (OEA) também se manifestou sobre a questão. Albert Ramdin, secretário – geral da OEA, afirmou que eliminar eleições é negar definitivamente o direito soberano do povo nicaraguense escolher seu governo. Ele ressaltou que eleições livres são essenciais para uma democracia representativa e alertou sobre as consequências regionais da erosão democrática em qualquer país das Américas.