ANP destaca “margem enorme” da Petrobras no gás e desafios do programa “gas release

O diretor da ANP, Pietro Mendes, destacou nesta sexta – feira (26) a “margem enorme” que a Petrobras possui no mercado de gás natural. Durante uma reunião de diretoria da agência reguladora, ele comentou sobre o programa “gas release”, que tem como objetivo desconcentrar o mercado e reduzir os preços do insumo.
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Mendes, que já foi presidente do conselho de administração da Petrobras e ocupou o cargo de secretário de Petróleo e Gás Natural do Ministério de Minas e Energia, afirmou: “O grande atravessador que nós temos no mercado hoje é a própria Petrobras”.
O diretor explicou que a Petrobras adquire gás natural na boca do poço por US 3,8 e o vende para distribuidoras e consumidores livres não térmicos por US 12,4 por milhão de BTU. Isso representa uma margem de lucro de US 8,6 por milhão de BTU. Mendes, no entanto, não entrou em detalhes sobre os custos relacionados ao transporte e processamento do gás pela empresa.
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Dados do mercado de gás natural
De acordo com informações apresentadas durante a discussão, cerca de 3,5 milhões de metros cúbicos por dia dos 18,6 milhões comercializados diariamente pela Petrobras vêm de compras realizadas com terceiros. O restante é proveniente da produção própria da companhia.
Ainda segundo Mendes, a União tem se empenhado em modificar o sistema atual há algum tempo. Contudo, o programa “gas release” enfrenta resistência tanto dentro da Petrobras quanto entre outros agentes produtores do setor. Relatos obtidos pela Reuters indicam que essa iniciativa poderia desestimular investimentos na área.
Embora a União tenha promovido a redução da concentração no mercado nos últimos anos através da privatização da rede de gasodutos, Mendes ressaltou que a Petrobras ainda representa um “agente dominante”, comercializando 56% do total disponível no mercado.
Desafios para o futuro do setor
A situação evidencia os desafios enfrentados pelo governo e pela ANP em relação à implementação efetiva do “gas release”. A dependência significativa da Petrobras no fornecimento de gás natural levanta questões sobre a competitividade e os preços praticados no setor.
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Com um cenário tão complexo, as decisões futuras podem influenciar não apenas a estrutura do mercado brasileiro, mas também as relações comerciais com países fornecedores. A expectativa é que novas audiências públicas ajudem a esclarecer os próximos passos para garantir um ambiente mais equilibrado e justo para todos os participantes do mercado.
Autor(a):
Júlia Mendes
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.



