AGU organiza reunião entre PF e Mendonça para distensionar tensões sobre investigações de Lulinha
A reunião entre AGU, PF e Mendonça busca restaurar a confiança nas investigações sobre Lulinha, em meio a tensões e críticas sobre a condução dos inquéritos.
O advogado – geral da União, Jorge Messias, está organizando uma reunião entre o ministro da Justiça, Wellington César, e o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal). O objetivo é distensionar a relação entre a Polícia Federal (PF) e o gabinete do relator de três inquéritos que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
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O encontro deve ocorrer nos próximos dias e visa evitar uma escalada de tensões.
A intenção é preservar a relação institucional entre a PF e o gabinete do relator, proporcionando tranquilidade e agilidade às investigações, além de evitar novos desgastes. As investigações relacionadas ao filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) têm gerado polêmicas e desconfianças de ambas as partes.
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Contexto das investigações sobre Lulinha
A iniciativa da AGU surge em meio à operação Sem Desconto, que apura fraudes bilionárias no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). A PF havia solicitado à AGU que encontrasse uma solução judicial para contestar a determinação do ministro Mendonça, que ordenou que todos os atos da apuração fossem imediatamente incluídos no processo sob sua responsabilidade.
O relator tem reclamado da lentidão da PF em avançar com o inquérito que menciona Lulinha e também criticou a troca na coordenação da equipe encarregada da investigação.
No início deste ano, o STF decidiu quebrar os sigilos bancário e fiscal de Lulinha, apontado na investigação como suposto sócio oculto de Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, que está preso desde o final do ano passado.
A tensão entre a PF e o gabinete de Mendonça aumentou na semana passada. A PF pediu a abertura de três novos inquéritos contra Lulinha por suposto tráfico de influência e corrupção envolvendo o Ministério da Saúde, Dataprev e outros órgãos federais.
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Embora essas investigações tenham origem no inquérito sobre irregularidades nos descontos do INSS, a PF afirma que não estão diretamente relacionadas.
Consequências políticas e judiciais
O pedido para abrir novos inquéritos foi interpretado por alguns ministros do STF como uma tentativa de afastar Mendonça – indicado pelo ex – presidente Jair Bolsonaro – das investigações envolvendo Lulinha. Contudo, um sorteio realizado pelo sistema da Corte designou os casos relacionados ao Ministério da Saúde e à Dataprev para Mendonça.
Por outro lado, o ministro Flávio Dino foi indicado por Lula ao STF.
A colisão entre a PF e Mendonça teve início antes disso. O relator determinou que Andrei Rodrigues, diretor – geral da Polícia Federal, ficasse fora do caso e sem acesso às informações sobre a investigação. No começo deste mês, Rodrigues reagiu publicamente afirmando que “cumpre essa regra há mais de 20 anos” desde que se tornou delegado, referindo – se à prática de não interferir em inquéritos conduzidos por subordinados.
Até agora, a PF já concluiu o primeiro inquérito relacionado ao caso e indiciou 48 pessoas. Entre os indiciados estão “Careca do INSS”, ex – presidente do INSS Alessandro Stefanutto e ex – ministro José Carlos Oliveira. A defesa de Lulinha está buscando acesso às investigações e planeja requerer depoimentos.