Vorcaro financia filme de BolsonarO e família; investigação abre

Flávio Bolsonaro financia filme da família com recursos controversos; investigação apura irregularidades financeiras.

Ex-banqueiro Daniel Vorcaro, CEO do Banco Master, e o senador Flávio Bolsonaro

A Polícia Federal (PF) iniciará uma investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia que aborda os tempos da ex – presidência de Jair Bolsonaro. A abertura deste inquérito foi autorizada por um ministro nesta quinta – feira (23), com foco em desvendar como foram utilizados recursos milionários.

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Um dos principais pontos sob escrutínio é a origem e destino das verbas no valor total de R 61 milhões. Este montante havia sido solicitado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL – RJ) ao banqueiro para custear parte significativa da produção cinematográfica.

Suspeitas sobre o dinheiro do Banco Master

O cientista político Paulo Niccoli Ramirez, professor na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fespsp), avalia que toda transação envolvendo os valores aportados por Vorcaro — dono do Banco Master —, além do próprio filme em questão, é altamente suspeita devido aos números envolvidos.

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“Não doaríamos, livre consciência e espontaneidade, uma quantidade tão exorbitante de recursos para um projeto como este”, afirma ele. Segundo Ramirez, a produção seria mais cara até mesmo que filmes brasileiros premiadíssimos ou produções internacionais consolidadas no mercado global.

Além disso, o especialista aponta problemas graves com a origem dos fundos bancários: “O dinheiro do Banco Master já tem histórico turbulento; resultado comprovado de extorsões e fraudes contra todo sistema financeiro brasileiro”.

Possível uso em contas estrangeiras

Ramirez intensifica as suspeitas ao notar detalhes sobre onde parte desses valores apareceram posteriormente. Ele destacou especialmente uma conta bancária nos Estados Unidos que pertenceu a um advogado ligado diretamente ao ex – deputado federal Eduardo Bolsonaro.

Para ele, é totalmente possível investigar se esse recurso não foi destinado apenas à produção cinematográfica no Brasil. O cientista político sugere ainda outros usos para o dinheiro: custear os gastos de permanência do próprio Eduardo território estadunidense ou até mesmo servir como verba propina internacionalmente influente.

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“Até que ponto esses recursos… podem ter servido tanto para abastecer representantes ligados ao governo Trump — agindo contra interesses brasileiros —, quanto terem sido usados em alguma forma de influência política sobre as decisões tomadas pelo norte – americano?”, questiona Ramirez.”

O papel da investigação

Ramirez conclui sua análise reforçando a importância institucional dessa abertura. Ele considera o fato, por si só, um acerto na autorização do inquérito e sugere cautela: “A reputação é mais importante hoje”. A apuração dos fatos deve esclarecer se os R 61 milhões foram apenas destinados à arte ou também serviram para movimentações políticas complexas no cenário nacional e internacional.