Uefa perde confiança em Gianni Infantino após recuo da Fifa em venda de direitos da Copa do Mundo

Uefa inicia processo para reconstruir a confiança no futebol após forte rejeição à proposta de venda de direitos da Copa do Mundo por parte da Fifa.

Aleksander Ceferin durante um congresso da Uefa

A Uefa anunciou neste sábado (1º) que perdeu a confiança no presidente da Fifa, Gianni Infantino, após a entidade máxima do futebol abandonar um plano de venda de uma participação nos direitos comerciais da Copa do Mundo. A proposta, que visava levantar até 4,2 bilhões de dólares com a venda de cerca de 20% da participação para investidores privados, pegou de surpresa as confederações regionais.

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Os dirigentes do futebol mundial reagiram fortemente à ideia, exigindo maior fiscalização sobre decisões que podem impactar a governança e o futuro comercial do esporte. A Uefa, cujos 55 membros rejeitaram a proposta por unanimidade no início da semana, considerou essa decisão uma “vitória para todo o futebol”.

Entretanto, a entidade também enfatizou que “a tarefa de reconstruir a confiança na Fifa” está apenas começando.

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Reações da Uefa e dos dirigentes

A Uefa destacou em comunicado que “a atual liderança da Fifa não perdeu apenas a confiança da Uefa, mas também a de muitos outros membros da família do futebol”. A entidade europeia agradeceu aos torcedores, ligas, clubes e jogadores que se opuseram ao projeto. “O futebol não está à venda.

Não podemos continuar dessa forma, com projetos secretos conduzidos em ritmo acelerado”, complementou.

A crítica foi direcionada ao que chamou de “acordo obscuro” feito sem transparência. A Uefa lembrou as promessas feitas por Infantino ao ser eleito presidente da Fifa em 2016, prometendo trabalhar com transparência e afirmar que os recursos pertencem às associações nacionais.

Porém, segundo a Uefa, ele falhou em cumprir essas promessas.

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Com reservas superiores a 5 bilhões de dólares, Infantino também não utilizou esses recursos em benefício do futebol. Diante disso, a Uefa planeja trabalhar com parceiros globais para propor uma nova forma de distribuição dos recursos através do programa Fifa Forward.

Consequências para Infantino

A Fifa e Gianni Infantino optaram por não comentar o comunicado emitido pela Uefa. Após o anúncio inicial da proposta, as confederações regionais rapidamente se opuseram à medida. O xeique Salman bin Ebrahim Al – Khalifa, presidente da Confederação Asiática de Futebol (AFC), elogiou a decisão da Fifa em abandonar o projeto e pediu que futuras iniciativas fossem discutidas com todas as partes envolvidas.

Anter Isaac, presidente da Football Australia, também defendeu inovação no futebol. No entanto, ele ressaltou que princípios como integridade, boa governança e transparência devem ser respeitados nas discussões sobre mudanças no esporte.

Desafios políticos para o presidente da Fifa

A controvérsia surge em um momento delicado para Infantino. Ele declarou em abril sua intenção de buscar reeleição para um quarto mandato como presidente da Fifa. Desde sua ascensão ao cargo em 2016, após a saída de Sepp Blatter, ele foi reeleito duas vezes sem adversários e parecia ter controle sobre a organização.

No entanto, especialistas afirmaram que a reação negativa à proposta revela insatisfação entre os membros da Fifa e pode complicar sua reeleição antes do Congresso programado para março no Marrocos. Bob Dorfman, analista de marketing esportivo, observou que algumas decisões tomadas por Infantino desagradaram várias associações – membro.

A mudança rápida na percepção sobre seu governo é notável. Apenas duas semanas atrás, Infantino celebrava o sucesso comercial da Copa do Mundo mais bem – sucedida da história; agora enfrenta um cenário adverso em sua trajetória política.