Trump destaca fragilidades nos sistemas eleitorais dos EUA e menciona interferência da China

Em um discurso transmitido em horário nobre nesta quinta – feira (16), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, destacou as fragilidades nos sistemas eleitorais do país. Ele utilizou uma nova leva de documentos desclassificados para afirmar que as próximas eleições podem estar ameaçadas por interferências estrangeiras, particularmente da China.
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Os dados divulgados abordam vulnerabilidades conhecidas há anos, que autoridades eleitorais têm buscado corrigir.
Apesar das alegações de Trump, não há evidências nos documentos que sustentem a ideia de que os resultados de pleitos anteriores — como a eleição presidencial de 2020, vencida por Joe Biden — tenham sido alterados por intervenções externas ou fraudes significativas.
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Registros de não cidadãos para votar
A Casa Branca informou que relatórios indicam que o Departamento de Segurança Interna (DHS) acredita que cerca de 250 mil não cidadãos estão registrados para votar em estados considerados estratégicos. Contudo, a precisão desses dados é questionável.
Os documentos apontam que esses registros estão localizados na Califórnia, Pensilvânia, Nova Jersey e Nevada. A análise foi alimentada por bancos de dados comerciais, os quais são tidos como menos confiáveis do que os registros oficiais do governo.
Estes estados teriam se recusado a disponibilizar suas listas eleitorais para uma auditoria federal através do sistema SAVE (Systematic Alien Verification for Entitlements), usado para identificar possíveis eleitores não cidadãos. O relatório do DHS revela que foram encontrados 28 mil registros ilegais de não cidadãos ao analisar dados de 25 estados com mais de 68 milhões de registros eleitorais.
Embora haja uma quantidade maior de não cidadãos registrados do que anteriormente suposta, os documentos não mostram um aumento significativo no número daqueles que realmente votaram. É importante lembrar que é ilegal para estrangeiros votarem em eleições federais nos Estados Unidos e especialistas afirmam que isso ocorre raramente.
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Alegações infundadas e contextos legais
Algumas jurisdições, como São Francisco, na Califórnia, aprovaram legislação permitindo a votação de não cidadãos apenas em eleições locais, como as voltadas para conselhos escolares. Essa situação ajuda a entender a presença de não cidadãos registrados em estados como a Califórnia.
Nos últimos anos, Trump tem repetido alegações infundadas sobre a participação massiva de imigrantes indocumentados nas eleições americanas.
Uma das afirmações mais notórias dele foi sobre ter perdido o voto popular em 2016 devido à participação ilegal de cerca de dois milhões de imigrantes sem documentação. Entretanto, o banco de dados da conservadora Heritage Foundation documenta menos de 100 casos confirmados desse tipo entre 2002 e 2022, em meio a mais de 1 bilhão de votos válidos registrados.
Por outro lado, o Brennan Center for Justice analisou mais de 23 milhões de votos da eleição de 2016 e encontrou uma estimativa reduzida a apenas 30 casos.
Autor(a):
Júlia Mendes
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.



