Trigo sobe 4,09% em Chicago com preocupações sobre oferta global e ataques no Mar Negro
A alta do trigo em Chicago reflete preocupações com a oferta global e a instabilidade no Mar Negro, impactando também os preços do milho e da soja.
Na quarta – feira (22), o contrato futuro do trigo para entrega em setembro registrou uma valorização de 4,09% na Bolsa de Chicago, fechando a US 7,05 por bushel. Esse aumento se deu em meio a preocupações com a oferta global do cereal, devido a problemas enfrentados em regiões produtoras importantes.
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A Royal Rural informou que os preços do trigo americano subiram após ataques contra carregamentos de grãos no Mar Negro e novas estimativas indicarem um potencial produtivo menor nos Estados Unidos. O Wheat Quality Council divulgou que os rendimentos médios nas lavouras da Dakota do Norte são de 46 bushels por acre, o que representa uma queda de 4 bushels em relação ao ano anterior.
Embora esse número ainda esteja próximo da média dos últimos cinco anos, ele ampliou a cautela do mercado quanto ao desempenho das plantações americanas.
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Impacto das condições climáticas e geopolíticas
Consultorias privadas alertam que as condições das lavouras de trigo e milho nos Estados Unidos podem piorar nos próximos relatórios. Isso mantém o mercado atento à dinâmica entre oferta e demanda. Além disso, os investidores estão monitorando atentamente a situação no Mar Negro.
Os ataques à infraestrutura portuária da Ucrânia têm impactado o escoamento de grãos do país e gerado preocupações sobre possíveis interrupções no fornecimento de trigo daquela região. Rússia e Ucrânia são fundamentais para o abastecimento mundial desse cereal, especialmente para compradores no Oriente Médio, Norte da África e Ásia.
A qualquer restrição nas exportações, aumenta – se a percepção de risco no mercado internacional. Essa situação acaba por afetar não apenas os preços do trigo, mas também os do milho.
Desempenho do milho e da soja
O contrato futuro do milho com entrega em dezembro também teve um dia positivo, encerrando com uma alta de 2,00%, negociado a US 4,84 por bushel. Segundo a Royal Rural, essa valorização ocorre em meio ao movimento ascendente do trigo, já que ambos os mercados estão interligados pelo uso comum na ração animal e pela substituição de demanda.
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Embora o milho não tenha sido diretamente afetado pelos mesmos fatores que elevaram o preço do trigo, sua valorização é influenciada por esse cenário. Com o trigo se tornando mais caro ou escasso, parte dos investidores começa a ver o milho como uma alternativa viável.
A Agrinvest destacou que tanto o trigo quanto o milho tiveram um dia marcado por forte volatilidade nos preços.
No caso da soja, o contrato futuro para entrega em novembro fechou com uma leve queda de 0,29%, negociado a US 12,22 por bushel na Bolsa de Chicago. Apesar dessa ligeira baixa na referência internacional, outros componentes do complexo soja mostraram sinais positivos.
A Agrinvest observou que o óleo de soja ganhou força junto ao avanço dos futuros do petróleo, que voltaram a níveis altos desde junho.
Expectativas para vendas futuras
Os investidores aguardam dados semanais sobre as vendas de soja dos Estados Unidos pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). A expectativa é que esses números fiquem próximos aos registrados na semana anterior, cerca de 2 milhões de toneladas.
No Brasil, há preocupação com o ritmo das vendas futuras da soja nacional; essas vendas não têm sido suficientes para atender à demanda das esmagadoras e das exportações até o final do ano.
Esse cenário resultou em um fenômeno conhecido como “short squeeze” no mercado brasileiro. Nesse processo, operadores que apostaram na queda dos preços precisam recomprar suas posições, contribuindo assim para um aumento nas cotações da oleaginosa no país.