Taxas de Juros Futuros Disparam e Atingem Novas Máximas: O Que Esperar?
Taxas de juros futuros atingem novos recordes, refletindo a pressão do mercado após dados de emprego dos EUA. O que isso significa para a economia brasileira?
Taxas de Juros Futuros Alcançam Novas Máximas
Os vértices intermediários e longos dos juros futuros atingiram novos recordes nesta tarde, alcançando os níveis mais altos desde março e abril de 2025, períodos em que o Copom (Comitê de Política Monetária) ainda estava elevando a taxa Selic.
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Com o aumento das taxas, a expectativa predominante (68%) é de que a taxa básica permaneça em 14,50% ao ano na reunião de junho.
A alteração na perspectiva se dá após o relatório de emprego dos Estados Unidos, o payroll, indicar uma criação de empregos bem acima do esperado, o que fez o mercado financeiro aumentar as chances de uma elevação nas taxas de juros pelo Fed (Federal Reserve) no segundo semestre de 2026.
Essa situação adiciona um novo elemento à pressão por juros altos por um período prolongado, que já considerava a deterioração das expectativas de inflação, a desvalorização do real e a incerteza eleitoral.
Movimentações nas Taxas de Juros
O contrato de DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2027 subiu para 14,43%, em comparação com 14,295% do ajuste anterior. A taxa para janeiro de 2029 avançou para 14,81%, ante 14,427%, enquanto a taxa para janeiro de 2031 subiu para 14,71%, de 14,409%.
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Os Estados Unidos geraram 172 mil empregos em maio, superando as estimativas que previam a criação de 125 mil postos, com uma mediana de 85 mil. O time de economistas do Bradesco, liderado por Fernando Honorato Barbosa, destacou que a diferença em relação a abril, quando foram criadas 115 mil vagas, está relacionada à reação do Fed.
Com a pressão inflacionária proveniente do setor de energia, a resiliência do mercado trouxe o foco do FOMC de volta para a inflação.
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Expectativas do Mercado e Análises
O mercado passou a considerar maiores chances de que o Fed eleve os juros em setembro, com a probabilidade subindo de 23,2% para 38,4% após a divulgação do payroll. No entanto, a expectativa majoritária ainda é de manutenção, que caiu de 74,1% para 60,5%.
O economista Carlos Lopes, do banco BV, comentou que o payroll atuou como um gatilho e uma pressão adicional para os juros futuros brasileiros, ressaltando que os investidores estão reduzindo a probabilidade de queda na taxa Selic na próxima reunião.
Uma redução de 8 pontos na curva representa 68% de chance de manutenção da taxa básica em 14,50%, e 32% de corte de 0,25 ponto percentual. A correção na renda fixa local já contava com uma série de preocupações, incluindo os números de inflação e as expectativas em relação à guerra, conforme acrescentou Lopes.
Projeções do Bank of America
O Bank of America (BofA) mencionou a deterioração nas dinâmicas atuais de inflação e o aumento das expectativas inflacionárias, além de um real mais fraco, para justificar sua mudança de cenário. O banco agora prevê apenas mais um corte de 0,25 pp na Selic em junho e uma sinalização do Copom de pausa no ciclo de afrouxamento.
Assim, a projeção para a taxa básica de juros no final de 2026 foi elevada de 13,25% para 14,25%, e para o final de 2027, de 12,50% para 13,25%.
Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, avaliou que o payroll alterou completamente o cenário, sugerindo que o Copom pode ter espaço para mais um corte de juros, mas talvez nem mesmo esse ocorra em junho.