Serra Verde se torna peça central da ofensiva ocidental contra domínio chinês em terras raras

A integração da Serra Verde na cadeia de terras raras pode transformar o Brasil em um player estratégico no mercado global, reduzindo a dependência da China.

23/07/2026 14:20

3 min

Imagem mostra projeto Serra Verde
Imagem mostra projeto Serra Verde

A Serra Verde, a única produtora comercial de terras raras em escala relevante no Brasil, se tornou uma peça – chave nos planos da USA Rare Earth para criar uma cadeia industrial integrada entre Brasil, Estados Unidos e Europa. A iniciativa visa reduzir a dependência do processamento das terras raras feito na China.

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Nesta quinta – feira (23), a empresa americana anunciou acordos definitivos para adquirir cerca de 13,6% da Carester, uma companhia francesa especializada em separação, processamento e reciclagem de terras raras.

O montante da transação não foi revelado. Juntamente com a USA Rare Earth, a Infra Via também irá adquirir uma participação similar através de um fundo de metais críticos que conta com o governo francês como investidor âncora. A expectativa é que essa operação seja finalizada no terceiro trimestre de 2026.

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Integração das operações

Com o acordo comercial, a Carester poderá receber matéria – prima das operações da USA Rare Earth, incluindo a mina Pela Ema, localizada em Goiás, e o depósito Round Top, no Texas. Em troca, a USA Rare Earth e sua subsidiária Less Common Metals terão acesso a parte dos óxidos produzidos pela empresa francesa e suas tecnologias de separação e reciclagem.

No entanto, a inclusão da Serra Verde na cadeia depende da conclusão da compra do grupo brasileiro pela USA Rare Earth. O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) já iniciou uma investigação para avaliar se os acordos entre as empresas configuram um ato de concentração que deve ser analisado pelo órgão regulador.

A previsão é que a transação seja finalizada até o fim de agosto deste ano, sujeita às aprovações necessárias e outras exigências para seu fechamento. O objetivo é conectar a produção mineral brasileira às etapas mais lucrativas da cadeia de terras raras, que incluem a separação dos elementos, fabricação de metais e ligas e a produção de ímãs permanentes.

Desenvolvimento industrial na França

Atualmente, a China domina essas etapas do processo e tem controle significativo sobre o processamento de terras raras pesadas e na fabricação de ímãs utilizados em veículos elétricos, turbinas eólicas e sistemas eletrônicos e militares. A Carester está desenvolvendo em Lacq, na França, uma unidade chamada Caremag voltada para reciclagem de ímãs e separação de terras raras.

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Esta planta deve iniciar suas atividades no quarto trimestre de 2026.

Quando operar em plena capacidade, a unidade deverá produzir anualmente 800 toneladas de óxido de neodímio – praseodímio, 500 toneladas de óxido de disprósio e 100 toneladas de óxido de térbio. A produção dos óxidos disprósio e térbio representará cerca de 15% da oferta mundial atual desses materiais cruciais para ímãs permanentes.

Esses óxidos são fundamentais para aumentar a resistência dos ímãs permanentes em altas temperaturas — característica essencial em aplicações militares e industriais. Paralelamente à Caremag, a LCM Europe, sob controle da USA Rare Earth, planeja estabelecer uma fábrica com capacidade anual para produzir 3.750 toneladas de metais e ligas de terras raras.

A combinação desses projetos poderá criar uma cadeia produtiva completa que abrange desde a separação dos óxidos até a fabricação dos materiais necessários para os ímãs. Além disso, a USA Rare Earth está desenvolvendo uma unidade dedicada à produção de ímãs em Stillwater, Oklahoma.

Com esses investimentos na Serra Verde, Carester e LCM Europe, a companhia pretende dominar diferentes etapas do processo – desde a mineração até à fabricação dos produtos finais.

Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.

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