Senado aprova projeto que pode transformar dívidas de produtores rurais; o que vem a seguir?

A aprovação no Senado marca um passo importante para a renegociação das dívidas dos produtores rurais. Quais serão os próximos desafios na Câmara dos Deputados?

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Aprovação de Projeto de Lei pela FPA

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) celebrou a aprovação simbólica, pelo Senado Federal, do projeto de lei que estabelece mecanismos para a renegociação das dívidas dos produtores rurais em todo o Brasil. A proposta foi aprovada na quarta-feira (10) e agora segue para a Câmara dos Deputados, onde a bancada ruralista busca acelerar a análise do texto.

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O projeto cria instrumentos para a repactuação de débitos do setor agropecuário e prevê a criação de uma linha especial de financiamento com recursos do Fundo Social do Pré-Sal. Para as regiões Norte e Nordeste, também será possível utilizar recursos dos fundos constitucionais de desenvolvimento.

Reações e Expectativas

O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), considerou a aprovação uma vitória significativa para o agronegócio. Ele enfatizou que a proposta permite que os produtores renegociem suas dívidas em até dez anos, com um período de carência de três anos. “É uma vitória extremamente importante para a renegociação das dívidas dos produtores rurais.

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São 10 anos para pagar e mais três anos de carência”, afirmou.

Lupion também destacou que a bancada continuará a trabalhar para garantir uma tramitação ágil da matéria na Câmara dos Deputados. A votação ocorreu após novas discussões entre parlamentares e o Ministério da Fazenda, mas não houve acordo entre o governo e os defensores da proposta.

Desafios e Alterações no Projeto

Durante a sessão, a vice-presidente da FPA no Senado, senadora Tereza Cristina (PP-MS), mencionou que houve esforços para construir um entendimento com a equipe econômica, mas o governo não se mostrou sensível à situação enfrentada pelos produtores rurais.

Segundo a senadora, o setor está sob forte pressão econômica, com a queda nos preços das commodities, juros altos, valorização do real em relação ao dólar e perdas devido a eventos climáticos, especialmente no Rio Grande do Sul.

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O projeto passou por alterações em relação à versão anterior. Entre as mudanças, está a ampliação do alcance da medida para incluir operações renegociadas ou prorrogadas até 30 de abril de 2026, desde que estivessem adimplentes na data da contratação.

Os senadores também mantiveram a possibilidade de utilização de recursos do Fundo Social e de fundos supervisionados pelo Ministério da Fazenda para a linha especial de crédito, sem um limite financeiro específico.

Condições de Financiamento

As condições de financiamento foram preservadas no texto aprovado, com taxas de juros variando entre 3,5% e 7,5%, dependendo do porte do produtor. O limite será de até R$ 10 milhões por beneficiário e de até R$ 50 milhões para cooperativas e associações.

O prazo de pagamento poderá chegar a dez anos, com três anos de carência, podendo se estender até quinze anos em situações excepcionais.

O vice-presidente da FPA, senador Jaime Bagattoli (PL-RO), ressaltou que a proposta é essencial para evitar a deterioração da situação financeira dos produtores e garantir condições para o custeio da próxima safra. Outra alteração, resultante de negociações com a base governista, assegura que eventuais retiradas de recursos do Fundo Social não comprometerão os repasses destinados às áreas de saúde e educação.

O coordenador da Comissão de Orçamento da FPA, senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), defendeu que os benefícios econômicos da medida superam os desafios. Ele argumentou que o projeto representa um investimento em um setor estratégico para a economia brasileira, que é responsável por mais da metade das exportações do país e por uma parte significativa do Produto Interno Bruto e da geração de empregos.