Sebastião Salgado Documenta Ocupação de Fazendas no Paraná e Pará

A luta pela Reforma Agrária no Brasil é marcada por momentos de intensa resistência e profunda violência estatal. Em 17 de abril de 1996, o fotógrafo Sebastião Salgado documentou um marco na região centro sul do Paraná: milhares de trabalhadores rurais ocuparam Fazenda Giacomet Marondin.
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Na mesma data — mas em outro canto do país —, a mobilização foi brutalmente confrontada pelo Estado Militar durante o Massacre de Eldorado dos Carajás (PA). Enquanto uma coluna humana avançava rumo à conquista da terra produtiva, outros camponeses foram vítimas de emboscadas policiais que ceifariam vidas no Sul do Pará até hoje.
A Luta pela Reforma Agrária no Brasil
A Marcha e Ocupação Histórica. O registro começou dias antes. Em 1de abril de 1996, Sebastião Salgado chegou por Curitiba com missão específica: documentar um latifúndio vastíssimo — a Fazenda Giacomet Marondin —, cobrindo cerca de 8mil hectares em Laranjeiras do Sul (PR.
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Ele foi acompanhado pelo militante Roberto Baggio. Os dois fotógrafos passaram três dias no acampamento inicial para registrar não apenas as famílias que ali viviam —cerca de 2,6 mil pessoas na época— mas também o clima tenso e organizado da preparação.
Os relatos apontam uma estratégia cuidadosa dos Sem Terra trabalhadores: “Não vamos fazer essa ocupação com ônibus ou caminhão; faremos andando”, conta Baggio sobre a necessidade de cautela diante das forças policiais presentes naquela região.
Entre Conquistas em Paraná e Repressões Estatais. Na madrugada fria do dia 17 de abril de 1996, mais de quinze mil sem terra saíram marchando silenciosamente para ocupar um latifúndio que era considerado improdutivo. A Coluna Humana chegou ao portão da Fazenda Giacomet Marondin perto do amanhecer. “Às seis horas em ponto”, o cadeado foi rompido pelos militantes à frente; a porta se abriu simbolicamente dando entrada permanente às famílias camponesas na área antes dominada pelo grande proprietário.
O Legado e os Novos Assentamentos. A luta pela terra continuou, culminando décadas depois com grandes vitórias no Paraná: Em 0de julho de 2026, por exemplo, o MST local celebrou formalmente a conquista dos novos assentamentos. Foram incorporados 3mil hectares da antiga madeireira em três novas áreas.
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Essas conquistas não são apenas números; elas representam vidas transformadas como a história de Joceli Borges. Fotografada na marcha quando tinha cinco anos — imagem que viria à capa do livro Terra (1997) —, ela hoje vive e coordena um grupo familiar nos Assentamento Herdeiros da Terra de Primeiro de Maio, área oficialmente reconhecida pela Reforma Agrária no município de Rio Bonito do Iguaçu.
O Contraste entre o Campo Produtivo e Violento.“A memória desses eventos é marcada por contrastes gritantes: enquanto em uma ponta há assentamentos consolidados como os Ireno Alves ou Celso Furtadoque já abrigam mais que 5,mil famílias na região centro sul —em outra extremidade a violência estatal se manifestava. “No Sul [Paraná], havia essa marcha humana rompendo as cercas para conquistar um assento extraordinário.
E no contraste disso tudo”, relembra Baggio sobre Eldorado dos Carajás (PA), “o aparato do Estado brasileiro ceifou vidas de militantes e deixou muitas pessoas mutiladas.” A luta pela terra é tema constitucional desde 1988, mas os anos noventa foram marcados por repressão intensa: segundo relatórios da Comissão Pastoral da Terra, entre 199e 200ocorreram mais de quinhentos despejos violentos na região Paraná. “O desafio era incorporar a dinâmica capitalista em terras que não cumpriam sua função social.
Era preciso esvaziar o campo para preservar as velhas estruturas,” explica Baggio sobre o contexto econômico dos latifúndios no período.
Autor(a):
Lucas Almeida
Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.



