REA dialoga com governo dos EUA e projeta iniciar produção de terras raras no Brasil em 2031

A REA busca apoio do governo dos EUA para viabilizar a produção de terras raras no Brasil, com foco em iniciar operações até 2031.

Francisco Tomazoni, country manager da REA no Brasil

A Rare Earths Americas (REA) está em diálogo com o governo dos Estados Unidos para explorar mecanismos de apoio e financiamento visando seus projetos no Brasil. A companhia projeta iniciar a produção comercial de terras raras no país em 2031. Com três de seus quatro projetos localizados no território brasileiro, a REA também considera avançar para etapas mais sofisticadas da cadeia produtiva, como a separação dos elementos e a fabricação de ímãs de terras raras.

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Francisco Tomazoni, country manager da REA no Brasil, explicou em entrevista ao programa Mapa da Mina da CNN Brasil que a empresa tem mantido conversas com investidores e potenciais compradores. “Obviamente, existe uma conversa aberta com o governo dos Estados Unidos.

Mas não é algo que temos definido ainda. Estamos em uma fase bem inicial”, afirmou.

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Projetos e investimentos

Até o momento, as tratativas com o governo americano não resultaram em um modelo específico de apoio ou contrato de compra da futura produção. Tomazoni destacou que a empresa está conversando paralelamente com investidores e consumidores interessados nos minerais.

A REA, atualmente em fase de exploração mineral, ainda não possui produção comercial ou reservas provadas.

A companhia abriu capital na Bolsa de Nova York em maio e conseguiu levantar US 63,3 milhões para financiar atividades como sondagem, testes metalúrgicos e licenciamento. O portfólio da REA inclui quatro projetos: Alpha na Bahia, Constellation em Minas Gerais, Homer em Goiás e Shiloh na Geórgia, EUA.

Alpha e Constellation estão ligados a depósitos de argilas de adsorção iônica, enquanto Homer busca identificar um sistema alcalino – carbonatítico com potencial para terras raras e nióbio. Shiloh se destaca pela mineralização associada à monazita.

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Foco no projeto Alpha

Dentre os ativos da empresa, Alpha é o principal foco atualmente e deve concentrar os primeiros estudos para avaliar sua viabilidade econômica. Tomazoni informou que a REA planeja iniciar um estudo de pré – viabilidade do projeto em 2027. Esse estudo irá aprofundar as estimativas de custos e definir a infraestrutura necessária para uma operação comercial.

A expectativa é que um estudo de viabilidade seja realizado em 2028, levando à decisão sobre investimento em 2029. Caso o cronograma se mantenha, a primeira produção poderia acontecer em 2031. “Se considerarmos o projeto Alpha, vamos iniciar a pré – viabilidade em 2027”, disse Tomazoni.

Desafios regulatórios e definição do produto final

A decisão sobre investimento será crucial para determinar se o projeto atende aos critérios técnicos, econômicos e ambientais necessários para ser construído. Entretanto, antes disso, a REA precisa ampliar seu conhecimento geológico sobre os depósitos e realizar testes mais abrangentes sobre a recuperação das terras raras.

Embora tenha planos para iniciar operações em 2031, Tomazoni alertou que esse cronograma depende do avanço técnico do projeto. Fatores como licenciamento ambiental e interação com comunidades locais podem impactar os prazos estabelecidos.

Atualmente, a REA ainda não definiu qual será o produto final da operação no Brasil. As opções incluem desde compostos mistos até produtos mais complexos como ímãs permanentes. A escolha dependerá da viabilidade econômica das diferentes etapas do processo produtivo.

A realização dessas etapas químicas é essencial para recuperar e separar os elementos presentes no minério. A produção individualizada de óxidos e metais concentra maior valor do que apenas vender produtos minerais intermediários.

Todas essas alternativas estão sendo avaliadas pela companhia, que poderá desenvolver internamente parte da cadeia ou estabelecer parcerias com empresas especializadas nas tecnologias necessárias. O nível de processamento no Brasil também será influenciado pelas condições tributárias e regulatórias oferecidas aos projetos.

A aproximação com o governo americano faz parte da estratégia da REA de posicionar seus ativos brasileiros e americanos como fontes futuras de minerais essenciais fora do domínio chinês.