PM constrange poeta Cleibson Silva no festival cultural de Recife

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A cultura hip hop e a poesia de periferia foram palco hoje à noite para um momento tenso na praça do Arsenal, no bairro do Recife. O Festival Brota reuniu artistas consolidados da cena pernambucana — como Bione —, além de novos talentos em declamações poéticas e batalhas de rima.
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Organizado pelo movimento social Levante Popular da Juventude com o tema central voltado à crítica contra a opressão policial, os participantes tiveram que lidar diretamente com uma abordagem constrangedora por parte dos policiais militares assim que Cleibson Silva chegou ao local para se apresentar.
Abordagem militar durante festival cultural O poeta Cleibson Silva, um jovem de 2anos convidado após recital inicial, relatou ter sido abordado enquanto chegava. Ele explicou aos repórteres como havia chegado: “A maioria do grupo foi para um lado, mas eu e alguns amigos ficamos mais distantes e viemos em direção ao palco.” Segundo o relato na noite desta quarta (29), os cinco policiais militares já estavam seguindo a turma pela rua antes mesmo dele chegar perto da área artística.
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Quando ele estava cumprimentando colegas no local, foram puxados por sua bolsa.
“Eu levantei as mãos e as pessoas ao redor ficaram pedindo calma… avisaram que eu era artista,” recorda Silva. Apesar dos apelos de quem assistia à cena cultural, eles não deram ouvidos às solicitações do poeta.”
Críticas à segurança e exclusão cultural. Os questionamentos incluíram saber se celular ou documentos eram seus; para onde ia, desde qual lugar vinha, seu paradeiro na praça e até perguntar se usava drogas em algum momento ali presente.
A ação policial gerou forte indignação entre os organizadores, especialmente Líllian Araújo, artista visual e educadora popular envolvida na produção artística. Ela criticou veementemente a atitude das forças militares por desrespeitarem todo trabalho produzido para um evento voltado aos jovens da periferia Marginalizam os artistas negros com base em estereótipos racistas,” questiona ainda Araújo sobre o ocorrido no Recife Antigo.
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A coordenadora apontou que as autoridades alegaram estar “fazendo a segurança do evento”, mas agiram de forma hostil contra seus próprios participantes.”, afirmou. Tentativa de diálogo fracassa. Os advogados presentes tentaram intervir junto ao grupo policial, pedindo cautela e reforçando que aquele era um espaço dedicado à juventude negra das periferias.
“Eles responderam que estavam agindo para nos proteger — mas na prática estaban oprimindo os própria dos eventos,” criticou Araújo. A organizadora previu ainda uma piora desse cenário com a privatização do centro da cidade em Recife.”, alertando sobre como isso pode levar maior exclusão cultural dessa população.
O futuro da cultura periférica no Centro de RecifeA experiência vivenciada pelo Festival Brota expõe aos olhos críticos as dificuldades enfrentadas pela arte popular e pelos artistas negros vindos das regiões mais afastadas, especialmente quando há intervenção policial.
Autor(a):
Júlia Mendes
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.



