Pesquisadores descobrem fóssil de serpente ancestral de 120 milhões de anos em São Paulo
A descoberta do fóssil de Tametara mirim em São Paulo oferece novos insights sobre a evolução e adaptação das serpentes durante o Cretáceo Inferior.
Um fóssil de uma das primeiras serpentes já conhecidas, descoberto no Sítio Paleontológico ‘José Martin Suárez’, em Presidente Prudente, interior de São Paulo, pode elucidar a evolução dessas criaturas e como elas se adaptaram a diferentes ambientes ao longo do tempo.
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A pesquisa, publicada na revista Nature, analisa a espécie Tametara mirim, identificada a partir de um fóssil que inclui a metade posterior de um crânio preservado em três dimensões e mandíbulas articuladas com a parte anterior do pós – crânio.
O achado também contém 103 vértebras pré – sacrais.
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O fóssil foi encontrado em 2020 na Formação Adamantina, localizada na Bacia Bauru. Segundo os pesquisadores, o exemplar tem aproximadamente 120 milhões de anos, o que o coloca no período do Cretáceo Inferior. Essa descoberta é significativa para entender melhor as origens e a diversificação das serpentes ao longo da história geológica.
Avanços nas análises do fóssil
A preservação excepcional do material permitiu que os cientistas realizassem exames em alta resolução. Por meio dessas técnicas avançadas, foram reconstruídas em detalhes várias estruturas do crânio do Tametara mirim, incluindo o cérebro, nervos cranianos e o ouvido interno.
Os resultados da análise mostraram que a morfologia cerebral dessa espécie era distinta tanto das serpentes primitivas quanto das espécies atuais.
Os pesquisadores apontam que essa diferença sugere uma diversidade anatômica já presente nos primeiros estágios da evolução das serpentes. Além disso, indica que as funções sensoriais desses animais poderiam variar significativamente entre as espécies.
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O formato singular do cérebro e outras características anatômicas revelaram também que Tametara mirim possuía um modo de vida provavelmente associado a ambientes subterrâneos.
A comparação das características encontradas no fósseis com as da Dinilysia, outra serpente primitiva conhecida, trouxe à tona diferenças importantes que sugerem que as duas espécies habitavam ambientes distintos. Enquanto o Tametara apresentava traços compatíveis com um estilo de vida subterrâneo, Dinilysia exibia características típicas de uma espécie adaptada à superfície terrestre.
Implicações sobre a origem das serpentes
O fóssil de Tametara mirim é composto por partes do crânio e da mandíbula articulados à coluna vertebral anterior, preservando cerca de 103 vértebras antes da região cloacal. O crânio mede cerca de 17,8 milímetros e seu comprimento total é estimado em aproximadamente 33 milímetros.
Já a parte preservada do corpo possui impressionantes 419 milímetros.
A pesquisa não apenas fornece novos dados sobre a morfologia das serpentes primitivas, mas também confirma a origem dos répteis serpenteantes no Jurássico Médio e indica que as serpentes modernas — conhecidas como serpentes coroa — surgiram no início do Cretáceo Superior.
No contexto mais amplo da paleontologia, essas descobertas ajudam a preencher lacunas sobre como esses animais se diversificaram e se adaptaram aos seus habitats ao longo dos tempos geológicos. Assim sendo, o estudo não só lança luz sobre a evolução das serpentes como também enriquece o conhecimento científico sobre a biodiversidade dos ecossistemas antigos.