Padre Bosco Burnier relembra luta pelo campo amazônico em romaria

As romarias religiosas têm mobilizado diversas regiões da Amazônia, entre junho e julho deste ano, transformando a fé em um ato político que busca lembrar os mártires das lutas por terra e denunciar avanços do agronegócio no Brasil.
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Organizadas tanto por movimentos sociais quanto comunidades locais, essas marchas carregam consigo uma forte mística voltada à defesa dos direitos humanos e ao planeta Terra. Neste ciclo festivo, as celebrações também marcam 50 anos após o assassinato de Padre João Bosco Penido Burnier — crime ocorrido enquanto ele intercedia pela libertação de duas mulheres camponesas torturadas numa delegacia local na cidade onde foi morto: Ribeirão Cascalheira (MT.
Memória da luta pelo campo brasileiro
A homenagem a padre John Bosco ocorreu durante a 8ª Romaria dos Mártires da Caminhada Latino – Americana neste sábado (18) e domingo (19). O Estado só reconheceu oficialmente este caso como um ato político em 2010, trinta e três anos após o assassinato.
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O coordenador nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), José Carlos Lima, enfatiza que manter viva essa memória é crucial. Segundo ele, existe uma causa maior do que qualquer existência individual: “a própria vida”, termo usado para defender a proteção de toda a morada humana na Terra.
A persistência histórica da violência no campo
Lima alerta ainda sobre os desafios atuais ao apontar que embora tenha havido transformações visíveis nos últimos cinquenta anos, nada mudou quanto à opressão exercida pelo capital privado rural e sua brutalidade inerente. Ele afirma categoricamente o uso contínuo da violência em um cenário onde “pouco ou quase nada houve de punição”, especialmente contra aqueles responsáveis por mandar matar.
A realidade é descrita como uma página dolorosa que “ainda não foi virada pela história do Brasil”.
Dados compilados na CPT reforçam esse quadro: entre 2016 e 2025, foram registrados no campo brasileiro impressionantes números — totalizando 374 assassinatos e ainda mais 14 massacres. No período analisado pelo relatório Conflitos no Campo Brasil 2025, contabilizaram – se até agora os conflitos em um número geral elevado; o balanço aponta para a participação de nove vírgula quarenta e nove milhões de pessoas.
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Romarias como resistência da “casa comum”
As romarias transcendem as celebrações religiosas. Elas se tornam momentos simbólicos que unem fé à busca por justiça territorial, ecoando uma energia vital na defesa do conceito de “uma terra sem males”.
“Ela [romaria] tem raízes bíblicas profundas… Hoje nós usamos muito o termo ‘terra livre dos venenos’, ou seja, longe das motosserras”, explica Lima ao detalhar essa visão ecológica – espiritual.
A romaria homenageou Dorothy Stanghellini por sua luta contra as ameaças que pairam sobre PDS.
Memória transformada em gesto concreto
A simbologia dessa resistência é palpável nos eventos passados: entre cinco e sete de junho, foi realizada na região compreendida entre Nova Ipixuna e Marabá o evento conhecido como 11ª Romaria dos Mártires da Floresta. Nesta ocasião foram lembradas Maria do Espírito Santo da Silva e José Cláudio Ribeiro da Silva, assassinados ainda em 2011. A família desses mártires acolheu os romeiros plantando onze mudas. Cada muda representou uma edição das romarias realizadas até então.
Essa ação simbolizou a transformação dolorosa memória — um gesto concreto voltado ao futuro sustentável dessas comunidades que seguem firmes pela vida no campo brasileiro.**.
Autor(a):
Gabriel Furtado
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.



