Ouro da Venezuela permanece bloqueado no Banco da Inglaterra em meio a disputa política
A disputa pelo ouro venezuelano no Banco da Inglaterra reflete a instabilidade política do país e as tensões com os Estados Unidos, impactando a economia local.
Dois países estão em uma disputa pelo controle de 31 toneladas de ouro guardadas no cofre do Banco da Inglaterra. Essa não é uma trama fictícia, mas parte da complexa realidade da Venezuela, que vive um ano repleto de mudanças e tragédias. O ex – presidente Nicolás Maduro, capturado por forças especiais dos Estados Unidos em janeiro e levado para Nova York, compareceu novamente nesta terça – feira (21) ao Tribunal Federal do Distrito Sul, onde enfrenta acusações de narcoterrorismo e tráfico de drogas — charges que ele nega.
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O valor das barras de ouro, atualmente, gira em torno de US 4 bilhões.
A vice – presidente Delcy Rodríguez declarou em julho que “esse ouro pertence ao nosso povo e deve estar disponível para enfrentar as consequências terríveis e trágicas desse duplo terremoto”. Ela também afirmou que a Venezuela possui recursos suficientes para se recuperar.
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Histórico do Ouro Venezuelano
O Banco da Inglaterra, localizado em Londres, atua como o banco central do Reino Unido e abriga um dos maiores cofres de ouro do mundo. Com aproximadamente 400 mil barras armazenadas, inclui as 31 toneladas pertencentes à Venezuela. De acordo com dados do Banco Central da Venezuela (BCV), o país possui cerca de 61 toneladas de ouro, contando as reservas mantidas em Caracas.
Documentos judiciais revelam que o BCV abriu duas contas no Banco da Inglaterra em 2008 para depositar essas reservas. O ouro é um ativo que tem sido usado como moeda e garantia ao longo da história. Embora seu uso como lastro tenha diminuído desde a década de 1970, muitos bancos centrais ainda mantêm suas reservas como forma de proteção contra crises econômicas.
A situação das barras venezuelanas começou a ser discutida quando as relações entre Caracas e Washington se deterioraram após a ascensão de Maduro ao poder em 2013. Em novembro de 2018, o BCV iniciou negociações para retirar parte desse ouro devido ao temor de sanções que poderiam bloquear o acesso às reservas.
Desafios Jurídicos e Políticos
A crise se intensificou em janeiro de 2019, quando a Assembleia Nacional declarou Juan Guaidó presidente interino da Venezuela. Com isso, o Banco da Inglaterra negou a retirada das barras pelo governo Maduro, já que tanto os EUA quanto o Reino Unido reconheceram Guaidó como líder legítimo.
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Desde então, diversas decisões judiciais no Reino Unido reafirmaram essa negativa.
A presidência interina de Guaidó terminou em janeiro de 2023 sem que ele conseguisse acessar o ouro, deixando a disputa em um estado incerto. Desde então, Delcy Rodríguez assumiu a liderança interina após a captura de Maduro e promoveu mudanças significativas na política venezuelana, incluindo a abertura do setor petrolífero aos investimentos americanos.
Após os devastadores terremotos que atingiram La Guaira em junho — resultando em mais de 5 mil mortos — Rodríguez fez um apelo ao rei Charles III para liberar o ouro venezuelano para auxiliar na reconstrução do país. Contudo, o rei não pode intervir diretamente nas questões políticas segundo sua posição na monarquia britânica.
Posição dos Governos
O governo britânico mantém sua posição firme: mesmo após a queda de Maduro, continua sem reconhecer qualquer novo governo na Venezuela. A secretária de Relações Exteriores do Reino Unido afirmou que “o Banco da Inglaterra deve tomar decisões independentes”, embora o foco seja sempre manter a estabilidade e promover uma transição democrática.
No entanto, Delcy Rodríguez conseguiu uma vitória recente com a liberação pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) de US346 milhões destinados à reconstrução após os terremotos. A Venezuela não tinha relações com o FMI desde 2019 e havia perdido acesso a cerca de US 4,5 bilhões em Direitos Especiais de Saque (DES.
Apesar dessa importante conquista financeira, os desafios relacionados às reservas de ouro permanecem sem solução clara entre Caracas e Londres.