Opositor Juan Sebastián Chamorro critica Ortega: “Até Coreia do Norte tem eleições”

A decisão de Ortega de encerrar as eleições na Nicarágua é vista como um passo decisivo rumo ao autoritarismo, gerando preocupações na comunidade internacional.

24/07/2026 04:30

3 min

Juan Sebastián Chamorro, opositor exilado da Nicarágua
Juan Sebastián Chamorro, opositor exilado da Nicarágua

Juan Sebastián Chamorro, que se lançou candidato à Presidência da Nicarágua em 2021, foi preso e deportado após a eleição. Desde então, o presidente Daniel Ortega tem consolidado seu poder por meio de reformas constitucionais e, recentemente, anunciou o fim das eleições no país. “Fui privado da minha nacionalidade, tive meus bens confiscados e atualmente vivo aqui, nos Estados Unidos”, contou o opositor exilado em entrevista à CNN Brasil.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Chamorro faz parte do diretório da Aliança Cívica pela Justiça e a Democracia, um movimento político que se originou como Grupo de Monteverde, nome da cidade na Costa Rica onde se reuniu pela primeira vez.

Fim das eleições na Nicarágua

Questionado sobre a decisão de Ortega de não realizar mais eleições, Chamorro declarou: “Até países como a Coreia do Norte ou a China, que estão longe de ser democráticos, realizam eleições regularmente. Ortega disse que isso acabou.” Para ele, essa declaração não é uma surpresa para a oposição nicaraguense.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O ex – candidato afirma que Ortega e a esposa Rosario Murillo, que é considerada co – presidente do país, orquestraram uma “farsa eleitoral” ao prender ou forçar ao exílio todos os opositores que pretendiam concorrer à Presidência.

Ainda assim, a confirmação do fim das eleições é vista pelos críticos como um claro sinal do autoritarismo de Ortega. Chamorro enfatiza: “Trata – se de uma oportunidade para mostrar ao mundo inteiro quem Daniel Ortega realmente é: um autocrata”.

Diante dessa erosão democrática na Nicarágua, a oposição argumenta que Ortega representa uma ameaça aos valores democráticos da América Latina e solicita ações concretas da comunidade internacional.

Reações internacionais e pressões sobre o regime

Chamorro citou como exemplo o Parlamento Europeu, que recomendou a suspensão do Acordo de Associação UE – Nicarágua. Da mesma forma, Marco Rubio, secretário de Estado americano, afirmou esta semana que é necessário unir forças para “demonstrar à ditadura Murillo – Ortega que não pode esperar manter relações normais com outras nações enquanto frustra os princípios fundamentais do nosso hemisfério democrático”.

Leia também

No entanto, até o momento, os Estados Unidos não indicaram nenhuma medida concreta em resposta à situação. Especialistas entrevistados pela CNN apontam que o caso da Nicarágua é diferente do que acontece em Cuba ou na Venezuela. Isso se deve ao fato de o país não dispor dos mesmos recursos naturais nem ter um sucessor claro como Delcy Rodríguez no caso venezuelano.

O professor Kai Thaler, do Departamento de Estudos Globais da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, ressalta: “Para Marco Rubio, Cuba importa muito mais do que a Nicarágua. Além disso, a Nicarágua não possui os recursos naturais da Venezuela.” Mesmo sem esperar uma intervenção imediata dos EUA, Chamorro acredita que há outras ferramentas disponíveis na política externa americana — incluindo medidas comerciais — que poderiam ser utilizadas para pressionar o governo nicaraguense.

Autor(a):

Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!