O fechamento dos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb pode agravar crise energética global

A escalada das tensões no Mar Vermelho pode resultar em impactos severos nos preços de energia e na inflação global, afetando o comércio internacional.

23/07/2026 17:40

4 min

Imagem de satélite mostra Estreito de Bab el-Mandeb, importante rota marítima e porta de entrada para o Mar Vermelho
Imagem de satélite mostra Estreito de Bab el-Mandeb, importante ...

Na segunda – feira (20), os Houthis, um grupo apoiado pelo Irã, anunciaram um bloqueio naval contra a Arábia Saudita. Essa ação pode abrir uma nova frente no conflito com os Estados Unidos e aumentar as ameaças ao abastecimento global de energia, além de impactar o comércio fora da região do Golfo.

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O Iêmen, onde os Houthis estão baseados, se localiza na porta de entrada sul do Mar Vermelho. O fechamento dessa passagem poderá intensificar a crise energética e agravar o já complexo conflito entre o Irã e os EUA. Com o Estreito de Ormuz enfrentando interrupções, o Mar Vermelho se tornou uma rota crucial para o transporte de petróleo e outros produtos.

Risco para os mercados globais de energia

A interrupção significativa no Mar Vermelho resultaria no fechamento simultâneo das duas principais rotas de exportação de petróleo do Oriente Médio. Naveen Das, analista sênior da Kpler, alertou sobre as consequências em cadeia desse bloqueio: “Os preços de energia, preços de alimentos, custos de transporte e inflação em geral podem ser severamente afetados”, disse ele.

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A situação atual é preocupante, pois muitos temem que isso represente uma nova escalada no cenário energético global.

Após ataques realizados por Israel e pelos EUA em 28 de fevereiro, o bloqueio parcial do Estreito de Ormuz já havia prejudicado a maior parte das exportações da região. Em resposta a essas ameaças, a Arábia Saudita desviou mais de 70% das suas exportações diárias normais para o porto de Yanbu, no Mar Vermelho.

Nas últimas semanas, os embarques a partir desse porto atingiram uma média impressionante de 4 milhões de barris por dia.

Dados da Kpler mostram que o volume total que passou pelo estreito de Bab el – Mandeb em junho foi de 7,4 milhões de barris por dia, representando cerca de 7% da produção global. Esse fluxo ajudou a controlar os preços globais do petróleo.

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Navegação sob risco

Com o aumento das tensões no Mar Vermelho, quatro petroleiros estavam navegando na região na quarta – feira (22). Dois deles mudaram seus destinos para o Canal de Suez após os Houthis orientarem as embarcações a evitar portos sauditas. Um quinto navio também desviou sua rota original rumo ao porto saudita de Jidá.

Naveen Das ressalta que alguns embarcadores podem optar por arriscar a passagem pelo estreito de Bab el – Mandeb. Contudo, é mais provável que vejam suas cargas redirecionadas para rotas mais longas através do Canal de Suez. Essa mudança resulta em tempos maiores para entrega e volumes reduzidos nas cargas transportadas.

Impactos diretos nos consumidores

A interrupção nas rotas marítimas terá um reflexo direto nos custos para os consumidores. Naveen Das acredita que a economia global pode suportar fechamentos temporários; porém, um bloqueio prolongado levará inevitavelmente ao aumento dos preços. “Se durar entre três semanas e um mês, começaremos a sentir o impacto”, afirmou ele.

Quem são os Houthis?

Os Houthis emergiram como um movimento militar e político no norte do Iêmen durante a década de 1990. Desde então, têm travado uma guerra civil contra o governo reconhecido internacionalmente com apoio da Arábia Saudita. Embora tenham declarado ataque aos interesses sauditas recentemente, suas motivações permanecem principalmente internas.

A tensão aumentou após uma trégua mantida até semana passada ser rompida devido a ataques mútuos entre as partes envolvidas. A reação dos Houthis incluiu disparos contra alvos sauditas e uma ameaça ao fechamento do estreito Bab el – Mandeb caso as hostilidades não cessem.

Retrospectiva dos ataques anteriores

Após ataques do Hamas contra Israel em outubro passado, os Houthis começaram a atacar navios no Mar Vermelho alegando apoio aos palestinos. Esses incidentes causaram sérios danos ao transporte marítimo global e forçaram empresas como Maersk e Hapag – Lloyd a desviar suas rotas para contornar a África — um caminho significativamente mais longo e caro.

A movimentação no Mar Vermelho sofreu uma queda acentuada desde então; dados indicam que houve redução significativa no tráfego pelo Canal de Suez em 2025 comparado aos níveis anteriores. Tentativas lideradas pelos EUA para restaurar a navegação livre na região resultaram em ações militares contra alvos dos Houthis.

Ainda assim, algumas empresas já começam a retomar suas operações nas rotas do Mar Vermelho que haviam sido abandonadas anteriormente devido à instabilidade causada pelos ataques dos Houthis.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

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