Incêndio na França deixa céu vermelho e força 10 mil a evacuarem vila na costa atlântica

Um incêndio florestal de rápida propagação obrigou mais de 10.000 pessoas a deixarem suas casas e áreas de acampamento na costa atlântica da França, em meio a uma onda de calor extremo e seca que afeta todo o continente europeu. Cientistas alertam que as mudanças climáticas estão intensificando a escassez de água na região, com três ondas de calor consecutivas neste verão agravando a situação.
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Somente até julho deste ano, os incêndios queimaram uma área maior do que a média anual das últimas duas décadas na Europa, enquanto o calor intenso também contribuiu para milhares de mortes. Na noite de quarta – feira (22), autoridades evacuaram 10.000 pessoas no sudoeste francês, à medida que um incêndio consumia pelo menos 2.400 hectares de terra, perto da cidade de Bordeaux.
A prefeitura informou que quinhentos bombeiros estão empenhados no combate às chamas e, até o momento, não houve registros de feridos.
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Incêndios florestais em Lège – Cap Ferret
Lège – Cap Ferret, um destino turístico popular, é onde muitas das evacuações ocorreram. O prefeito Philippe de Gonneville relatou que o fogo se espalhou rapidamente durante a noite, surpreendendo as autoridades. Das 10.000 pessoas evacuadas, 5.200 foram retiradas apenas naquela noite.
A península abriga algumas das propriedades mais caras da França e já tinha visto o fogo chegar aos limites da cidade. Gonneville afirmou que planos de contingência estavam prontos para evacuar toda a península por terra e mar, se necessário.
A evacuação forçou a retirada de vários acampamentos nas proximidades da floresta. Jeanine Clarke, uma moradora que foi realocada com sua família e cachorro para um centro próximo, expressou incerteza sobre como ficaria sua casa após o retorno.
Elizabeth Carron, outra evacuada, descreveu como jantava quando viu as chamas: “O céu ficou vermelho… Havia cinzas sobre o carro e sobre a barraca dos meus netos”.
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Desafios em toda a Europa
Os incêndios florestais também representam um grande desafio em outras partes da Europa. Na quinta – feira (23), diversas frentes ativas eram combatidas na Espanha, onde a ADIF suspendeu temporariamente a circulação ferroviária entre Melhorada del Campo e Alcalá de Henares devido a um incêndio próximo aos trilhos.
Bombeiros e equipes militares permanecem mobilizados em várias regiões centrais da Espanha enquanto monitoram focos ativos em Guadalajara, Toledo, Ciudad Real e Albacete. Neste ano, mais de 100 mil hectares foram queimados em todo o país.
A onda de calor recorde resultou em mais de 10 mil mortes na Europa e Grã – Bretanha durante os meses anteriores; cientistas indicam que essas estatísticas alarmantes estão diretamente relacionadas ao calor excessivo. A Bélgica registrou 650 óbitos somente no dia 27 de junho durante esse evento climático extremo.
Seca severa afeta agricultura e reservas hídricas
A seca está esgotando as reservas hídricas em diversos países europeus neste verão. A França teme enfrentar sua menor safra de milho em meio século; já na Romênia, agricultores enfrentam restrições no acesso à irrigação.
No Reino Unido, Londres implementou restrições ao uso de mangueiras para preservar água, enquanto sete ilhas gregas declararam estado de emergência hídrica.
Cientistas do grupo World Weather Attribution afirmaram que as mudanças climáticas estão afetando o desenvolvimento das secas na Europa. De acordo com suas análises, o calor extremo acelera a evaporação da água do solo.
Soluções inovadoras contra incêndios
Diante dos desafios impostos pela seca e pelos incêndios florestais, algumas comunidades têm buscado soluções inovadoras. Na Galícia, noroeste da Espanha, há iniciativas para reintroduzir raças bovinas nativas com o objetivo de reequilibrar ecossistemas locais e reduzir incêndios florestais.
A raça Cachena, conhecida localmente como “vaca – cabra”, está sendo utilizada para controlar a vegetação rasteira e sub – bosque que frequentemente funcionam como combustível para os incêndios.
Autor(a):
Júlia Mendes
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.



