Nesta década, cinco presidentes filhos de ex-líderes mostram força das dinastias na América Latina

Uma nova dinâmica vem se estabelecendo na política da América Latina, com a ascensão de presidentes que são filhos de ex – chefes de Estado ou líderes proeminentes. Atualmente, cinco países da região têm essa característica em seus governos, um número recorde na era moderna.
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As eleições na Bolívia, Equador, Guatemala, República Dominicana e Peru evidenciam um fenômeno interessante em um continente marcado historicamente por dinastias políticas.
A pesquisadora Mónica Montaño, coordenadora do Observatório Político – Eleitoral da Universidade de Guadalajara, revelou que cerca de 20% dos políticos analisados na América Latina têm laços familiares diretos com figuras políticas relevantes.
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No entanto, essa realidade suscita questionamentos sobre a saúde da democracia na região.
Para Montaño, o aumento de herdeiros políticos na Presidência reflete uma fragilidade partidária e um sistema que favorece certas famílias em detrimento de uma competição genuína.
O impacto das dinastias políticas
Montaño argumenta que a predominância de famílias influentes no cenário político sugere que os canais institucionais não estão funcionando como deveriam. “Famílias e indivíduos continuam a deter mais poder. É uma característica natural de minorias e elites”, explicou.
A cientista política também destacou que a falta de supervisão institucional contribui para essa situação, fazendo com que indivíduos importem mais do que os partidos.
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Um exemplo é Luis Abinader, presidente da República Dominicana desde 2020. Ele conquistou o cargo dois anos após a morte do pai, José Rafael Abinader, um ex – senador influente. A campanha de Abinader foi construída ao longo de mais de uma década dentro do Partido Revolucionário Dominicano, onde seu pai também atuou como líder.
O atual presidente reconhece sua vocação política herdada e admite que seu pai teve papel fundamental em sua trajetória.
Apesar do crescente descontentamento com a classe política na região, os eleitores continuam elegendo figuras do establishment. Montaño aponta que essa contradição pode ser explicada pelo desempenho insatisfatório dos governos anteriores, o que gera narrativas de mudança independente das origens dessas propostas. “Em países com maior estabilidade e menos descontentamento generalizado, essa retórica não tem tanto sucesso”, detalhou ela.
Desafios eleitorais e candidatos emergentes
Candidatos como Noboa têm se destacado ao capitalizar a ideia de renovação. Com uma trajetória política curta, Noboa conseguiu se posicionar como um “outsider”, atraindo votos anti – establishment. Em contrapartida, Keiko Fujimori enfrentou dificuldades devido à sua longa associação com o establishment e suas várias tentativas frustradas à Presidência.
Outro exemplo recente é o uruguaio Luis Lacalle Pou (, filho do ex – presidente Luis Alberto Lacalle (. Na Argentina, o deputado Máximo Kirchner — filho do ex – presidente Néstor Kirchner e da ex – presidente Cristina Fernández — tem sido cogitado como possível candidato peronista.
Em Honduras, os filhos dos ex – líderes Manuel Zelaya e Xiomara Castro também são mencionados como potenciais postulantes ao cargo.
No Brasil, Flávio Bolsonaro busca impedir a reeleição do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições programadas para outubro. Com um sobrenome que divide opiniões no país, ele representa mais uma figura ligada a legados familiares no cenário político latino – americano.
Autor(a):
Gabriel Furtado
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.



