Desarmamento do Hamas é crucial, mas líderes do grupo impõem condições ao plano de Trump

Após o recente acordo de cessar – fogo entre Israel e Hamas, que visa encerrar a guerra em Gaza, líderes do Hamas levantaram questionamentos sobre um aspecto crucial do plano de 20 pontos proposto por Donald Trump: o desarmamento do grupo. Khalil Al – Hayya, líder do Hamas, afirmou que a entrega das armas só ocorrerá com a formação de um futuro Estado palestino.
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As negociações que levaram até esse ponto foram longas e complicadas, durando quase 10 meses. Na quinta – feira (30), Nickolay Mladenov, representante do Conselho de Paz encarregado da mediação, reconheceu a dificuldade da tarefa: “houve vários momentos em que não acreditei que conseguiríamos”, declarou.
Desafios do Acordo de Paz
O acordo representa uma etapa significativa para viabilizar o plano de paz de Trump para Gaza. No entanto, conforme Mladenov apontou, os desafios estão apenas começando. O novo roteiro, agora com 15 pontos, estabelece uma sequência clara: o Hamas deixou explícito que não iniciará a entrega de suas armas até que Israel cumpra as obrigações pactuadas — como cessar os ataques frequentes a Gaza e recuar até a “linha amarela” previamente acordada.
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Além disso, o grupo demanda um aumento no fluxo de ajuda humanitária.
A situação já apresenta obstáculos: embora ainda não tenha se manifestado oficialmente sobre o acordo, uma autoridade israelense informou à CNN que Israel não retirará tropas da atual “linha amarela”. Essa linha ocupa pelo menos 4% do território de Gaza, superando as delimitações estabelecidas no acordo anterior de outubro.
A reação em Israel revela o dilema político enfrentado por Benjamin Netanyahu, a menos de três meses das eleições. Diversas figuras políticas criticaram severamente o acordo de desarmamento, considerando – o uma rendição. Gadi Eisenkott, principal adversário de Netanyahu na corrida pela premiê, alertou: “O Estado de Israel não deve aceitar uma realidade em que o Hamas sobreviva, se rearme e aguarde a oportunidade de realizar o próximo massacre!”.
Pressões Internas e Externas
No entanto, Netanyahu também enfrenta pressão externa vinda dos Estados Unidos. Autoridades americanas deixaram claro que esperam que ele respeite os termos do acordo e alertaram que Trump ficaria “muito, muito decepcionado” se Israel não cumprir suas promessas.
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Essas mesmas autoridades são vitais para Netanyahu alcançar seus objetivos em relação ao Irã, onde planeja uma ação militar mais ampla. A situação é complexa e cada movimento pode ter repercussões significativas tanto no cenário local quanto nas relações internacionais.
Autor(a):
Ricardo Tavares
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.



