MST debate cooperação e futuro dos assentamentos em Pernambuco

MST busca cooperação e novas estratégias nos assentamentos pernambucanos com foco na agenda 2026.

Jaime Amorim, dirigente nacional do MST, trouxe debate sobre cooperativismo

A discussão em torno das pautas políticas voltadas aos assentados foi tema central na manhã desta quinta – feira (30). Enquanto a Rua do Bom Jesus movimentava as vendas agrícolas familiares durante sua feira tradicional, poucos metros dali — dentro do Teatro Apolo —, iniciou – se uma série de encontros sobre cooperação, educação rural e estratégias comerciais.

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O encontro contou com Jaime Amorim, dirigente histórico do MST no Pernambuco, que abriu os trabalhos enfatizando o propósito desses eventos: além da comercialização dos produtos, é fundamental estreitar laços sociais e políticos entre as regionais.

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Segundo ele, também se trata de um momento para discutir rumos internos à organização.

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Cooperativismo como pilar estratégico na agroecologia

A primeira conversa focou nos desafios enfrentados pelas cooperativas em assentamentos ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A direção local considera a cooperação produtiva essencial para garantir o avanço das atividades rurais desenvolvidas pelo movimento.

Jaime Amorim explicou que não basta apenas repetir palavras de ordem sobre aumentar a produção; essas diretrizes precisam ser colocadas em prática no campo diariamente.

Ele destacou que, embora incorporar tecnologias e maquinários traga alívio prático à rotina do trabalhador rural, isso sozinho não resolve os problemas estruturais. Para ele, é fundamental organizar – se através da criação dessas próprias cooperativas como solução principal.

Amorim ressaltou ainda que esse processo exige dedicação: “Não adianta só querer abrir uma cooperativa, tem que se preparar e estudar como fazer.” Ele apontou o potencial das associações para além da simples venda de produtos agrícolas. A organização por meio desse modelo produtivo permite agregar valor aos itens colhidos no campo ao criar pequenas agroindústrias locais, garantindo mais dignidade tanto à mulher quanto ao homem do trabalho rural em um setor considerado penoso.

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Foco na produção sustentável até sábado O dirigente também orientou sobre os próximos passos estratégicos. A cooperação deve concentrar – se inicialmente nas questões produtivas: avançar com a mecanização local, produzir insumos próprios — incluindo biofertilizantes— e fortalecer as práticas agroecológicas.

Em seguida, o foco passa para estabelecer cooperativas de prestação de serviço e comercialização que vão levar alimentos saudáveis da roça diretamente às mesas dos consumidores urbanos.

É uma organização do processo produtivo […]. É necessário nos apropriarmos desse conhecimento”, concluiu Amorim, enfatizando que é preciso dar respostas mais robustas na produção em escala industrial no futuro próximo.

Próxima programação política

A Feira Agrária manteve a agenda intensa ao longo desta quinta – feira. Além das discussões sobre cooperação produtiva, houve um debate específico abordando os desafios relacionados à educação rural dentro do MST; essa pauta foi conduzida por Rubneuza Leandro, profissional da área de ensino ligado ao movimento.

Os encontros continuarão com temas específicos nos próximos dias: já nesta sexta – feira (3, às 9h 30, será o foco em debater as dificuldades e estratégias para comercialização dos produtos no âmbito do Movimento. O evento terá seu ponto alto neste sábado, quando receberá João Pedro Stédile — coordenador nacional e fundador —, que fará uma análise geral sobre a conjuntura política atual na região.

Os debates prometem cobrir os desafios multifacetados enfrentados pelos assentamentos rurais.