Moradores denunciam abandono de FIA para crianças no Rio

Moradores do Conjunto Habitacional Dom Jaime Câmara denunciam há anos o estado avançado de abandono em que se encontra a unidade estadual da Fundação para a Infância e Adolescência (FIA – RJ). O equipamento, situado na praça Silvinha Telles, era um ponto crucial no suporte social dos bairros Padre Miguel e Bangu, oferecendo cursos profissionalizantes, oficinas culturais e atividades esportivas voltadas à proteção juvenil.
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A comunidade local está mobilizada desde 2026 — ano referência desta matéria —, exigindo obras urgentes ao poder público. Segundo relatos, embora os serviços essenciais continuem sendo vitais, não houve apoio estatal suficiente com ações contínuas nas áreas de educação ou cultura que garantissem o pleno funcionamento da unidade para jovens em situação vulnerável.
Impactos do abandono na vida comunitária
Para a moradora Michele de Oliveira da Cunha, de 45 anos, é preocupante ver como falta assistência social adequada hoje nos bairros vizinhos à Fundação no Conjunto Habitacional Dom Jaime Câmara (Conjuntão). Ela ressaltou aos jornalistas “que as crianças estão sem atividades e vivenciam muito mais violência”.
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“Aqui antes tínhamos cursos, aulas… benefícios comunitários. Isso tudo faz muita diferença que está faltando aqui,” pontuou ainda ela, reforçando o papel histórico dos serviços oferecidos pela FIA para toda comunidade.
Histórico do equipamento em Padre Miguel
A localização da fundação é estratégica dentro de um complexo habitacional considerado um dos maiores da América Latina: ele conta com 7.200 apartamentos distribuídos por 180 blocos e atende uma população estimada acima de 50 mil moradores no Conjunto Habitacional Dom Jaime Câmara.
Walmir Lima, coordenador estadual do MAB (Movimento de Apoio aos Bairros), afirmou que a relação entre o serviço público local e os residentes sempre foi forte.
“O fato dessa existência pública fortalecia muito nossos laços comunitários,” explicou Lima ao Brasil de Fato em conversa sobre como “a negligência… caminha junto a um cenário crescente de violência e desigualdade social”.
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Investimentos anteriores versus situação atual
A Fundação para a Infância e Adolescência é responsável por garantir direitos e acolher crianças ou adolescentes vulneráveis, seguindo as diretrizes do Estatuto da Criança e Adolescente (ECA). No entanto, os moradores apontam que o equipamento está desativado devido à falta crônica de manutenção desde pelo menos 2022.
Em abril de 2023, houve anúncios sobre obras no programa Casa da Gente. Esse investimento totalizou R 53,6 milhões em reformas focadas na rede elétrica, hidráulica, telhados e caixas dágua dos conjuntos residenciais Dom Jaime Câmara; contudo, a Companhia Estadual de Habitação (Cehab) informou não ter contemplado especificamente as estruturas do imóvel fundacional naquele período.
Ações governamentais para o futuro
Diante desse quadro, O Brasil de Fato buscou um posicionamento oficial junto ao Governo do Estado do Rio de Janeiro sobre os planos futuros da unidade. Em nota à imprensa, foi informado que a Fundação está buscando uma solução definitiva por meio de parceria institucional com dois órgãos: Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase) e Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.
“Foi determinada também realizar vistoria técnica na área,” detalhou ainda a fundação em seu comunicado; além disso, serão solicitados serviços básicos de manutenção visando subsidiar avaliações mais profundas das intervenções necessárias para o local.”,
Reunião visa cooperação socioassistencial
A expectativa é aumentar nos próximos dias. Está prevista no mês seguinte uma reunião entre representantes do governo federal — incluindo FIA – RJ e Degase —, com objetivo claro: discutir um “modelo de cooperação voltado ao fortalecimento dessas políticas”.
Este encontro busca reativar as ações que protegem os direitos da infância na região.
Autor(a):
Bianca Lemos
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.



