Milho sobe em Chicago com corte de área e aumento da demanda por etanol nos EUA

A alta do milho em Chicago reflete a expectativa de oferta restrita nos EUA e o aumento da demanda interna por etanol, impactando o mercado global.

Wenderson Araujo

O mercado de milho encerrou a sessão desta quinta – feira (23) com alta na Bolsa de Chicago, impulsionado por diversos fatores relacionados à oferta e demanda, além do contexto internacional. O contrato futuro com vencimento em dezembro fechou o dia cotado a US 4,87 por bushel, apresentando uma valorização de 0,57%.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Gilberto Leal, head de commodities da Granel Corretora, apontou que a expectativa de uma oferta mais restrita nos Estados Unidos e o aumento do consumo interno para produção de etanol têm sido determinantes para essa alta. “O milho está fundamentado no forte programa de esmagamento de etanol nos Estados Unidos.

Existe uma expectativa do lado da oferta mais restritiva, o que acaba dando suporte aos preços”, destaca.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Fatores que impactam o mercado

Outro aspecto importante mencionado por Leal é o cenário geopolítico, especialmente as tensões no Mar Negro que afetam o corredor de grãos. Ele afirma que os riscos logísticos podem levar a uma migração da demanda para outros países produtores, como Estados Unidos, Brasil e Argentina.

No Brasil, a colheita da segunda safra avança rapidamente, com Mato Grosso já praticamente finalizando os trabalhos. Leal observa que o programa de exportações começa a se fortalecer, assim como a demanda das indústrias que utilizam milho para etanol. “O programa de exportação está ganhando tração e o esmagamento pelo etanol também tem avançado bastante”, explica.

Em relação ao mercado interno, o milho destinado ao embarque em setembro alcançou preços entre R 50 a R 51 por saca em algumas regiões produtoras.

Soja e trigo também em destaque

A soja também teve um desempenho positivo na Bolsa de Chicago, encerrando a sessão em alta devido à forte demanda pelo produto norte – americano e influências externas que sustentaram os preços. O contrato futuro da oleaginosa para entrega em novembro fechou cotado a US 12,43 por bushel, com valorização de 0,38%.

Leia também

Segundo Gilberto Leal, os fundamentos permanecem favoráveis no curto prazo pela procura constante pela soja dos Estados Unidos. “Hoje tivemos as vendas semanais americanas dentro das expectativas para a soja, destacando – se a safra nova com mais de 6 milhões de toneladas já comprometidas”, afirma Leal.

No entanto, apesar da recente valorização da soja, ele aponta que os contratos enfrentam resistência técnica próxima aos US 12,49 por bushel. No Brasil, mesmo com os prêmios recuando um pouco devido à alta em Chicago, os preços internos avançaram e chegaram perto de R 130 por saca em algumas regiões do Mato Grosso.

No setor do trigo, o contrato futuro com vencimento em setembro registrou queda de 1,35%, finalizando a sessão cotado a US 6,96 por bushel. Apesar dessa desvalorização no pregão atual, o mercado continua atento aos riscos relacionados à Rússia restringir embarques noturnos em Novorossiysk devido a ataques recentes realizados pela Ucrânia.

Essa medida aumenta as incertezas sobre o fluxo de grãos no Mar Negro.