Meteorologista alerta sobre “Super El Niño” e seus impactos no clima brasileiro em 2026

O fenômeno “Super El Niño” pode provocar secas severas na Amazônia e chuvas intensas no Sul, elevando os riscos de queimadas e tempestades no Brasil.

Fênomeno El Niño

O fenômeno climático El Niño já começou e promete ser o mais intenso dos últimos anos, recebendo a denominação de “Super El Niño”. Em entrevista ao Agora CNN, o meteorologista Alexandre Nascimento, da Nottus, detalhou como esse fenômeno afetará o clima no Brasil nos próximos meses.

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Ele alertou para os riscos de seca nas regiões norte e leste da Amazônia e para chuvas intensas no Sul do país.

Conforme Nascimento, os efeitos dessa mudança climática já podem ser percebidos. “Nós estamos nesse momento com temperaturas bem mais altas do que o normal”, destacou. No primeiro dia de agosto, Corumbá, em Mato Grosso do Sul, registrou a maior temperatura do país, com quase 38 graus.

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A cidade de Cuiabá atingiu 37 graus, enquanto o interior paulista variou entre 32 e 33 graus. Minas Gerais também apresentou temperaturas elevadas, tudo isso em pleno inverno.

Risco de queimadas e temporais

As altas temperaturas fora de época geram preocupações adicionais. O calor intenso nesta época do ano está ligado à baixa umidade relativa do ar nas tardes, que pode ficar abaixo de 30% e até chegar a 20%. “Isso termina possibilitando ou facilitando a ocorrência de incêndios”, alertou Nascimento.

Ele enfatizou que, durante anos com El Niño, é fundamental que a população evite hábitos que possam aumentar os riscos de queimadas.

Além das queimadas, a chegada de frentes frias sobre um ar extremamente quente representa outro perigo. A partir de quarta – feira, uma frente fria mais organizada deve avançar sobre o Brasil, criando condições favoráveis para tempestades com granizo e ventanias. “À medida que essa frente fria vai se deslocando, temos expectativa tanto de chuvas de moderada a forte intensidade quanto também ventanias”, explicou o meteorologista, citando as regiões Sul, Sudeste e Centro – Oeste como as mais impactadas.

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No meio da semana, São Paulo poderia registrar temperaturas superiores a 30 graus — cerca de 6 a 7 graus acima do normal para esta época do ano.

Por que este é chamado de “Super El Niño”

Alexandre Nascimento esclareceu que o fenômeno começou há pouco mais de dois meses e já apresenta uma anomalia térmica de 1,4 grau acima do normal no Oceano Pacífico, segundo dados da Administração Nacional para Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA.

A previsão é que essa anomalia supere facilmente os 2,5 graus entre o último trimestre deste ano e o início do próximo. “Acima de 2,5 graus, ele já entra na categoria Super El Niño”, disse o meteorologista.

Em momentos extremos, essa anomalia pode alcançar entre 3 e 3,5 graus. Nascimento destacou que a combinação desse El Niño intenso com um planeta já aquecido representa uma situação sem precedentes. “Essa combinação é ímpar; nunca antes vista na história recente”, afirmou.

Como referência histórica, ele lembrou que o El Niño moderado em 2023 e 2024 já havia causado sérios problemas no Rio Grande do Sul. “Este ano nós estamos com bastante precaução e atentos a esse aspecto”, concluiu Nascimento, ressaltando que o fenômeno deve continuar nessas condições pelo menos até o primeiro trimestre de 2027.