Kevin Warsh afirma estar preparado para agir diante de ataques de Donald Trump ao Fed

Warsh reafirma compromisso com a independência do Fed em meio a pressões políticas, destacando a importância da credibilidade do banco central para a economia.

20/07/2026 22:52

4 min

Kevin Warsh em cerimônia de posse como próximo chair do Fed
Kevin Warsh em cerimônia de posse como próximo chair do Fed

O presidente do Federal Reserve dos Estados Unidos, Kevin Warsh, afirmou nesta terça – feira (14) que está preparado para “fazer seu trabalho” se confrontado pelo ex – presidente Donald Trump. Esta declaração marca a posição mais clara de Warsh sobre a pressão que seu antecessor enfrentou durante o mandato.

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Durante uma audiência na Comissão de Serviços Financeiros da Câmara dos Deputados, ele foi questionado sobre como reagiria caso Trump continuasse atacando o banco central americano, especialmente após tentativas de demitir a diretora Lisa Cook.

Warsh destacou que a Suprema Corte dos EUA reafirmou recentemente a independência do Fed ao definir sua política monetária. Se vier a ser alvo de ataques pessoais, o presidente do Fed garantiu: “eu continuaria a fazer meu trabalho”. Ele enfatizou que dentro do banco central deve haver uma separação entre política e suas decisões. “Na medida em que houver política lá, vamos nos livrar dela”, afirmou.

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Independência e Credibilidade do Fed

A independência do Federal Reserve é considerada “sagrada” por Warsh. Em resposta às perguntas sobre sua disposição de ajustar a política monetária mesmo sob pressão para baixar os juros, ele reiterou que a credibilidade do banco central se fortalece quando é percebido como independente. “Essa é a melhor forma de fazermos o nosso trabalho”, disse aos parlamentares.

Warsh compareceu ao Congresso em um momento crítico, onde precisa lidar com uma economia em recuperação e as expectativas de Trump. Atualmente, a inflação ultrapassa a meta de 2% estabelecida pelo Fed, e há incertezas sobre possíveis conflitos no Oriente Médio que podem impactar os avanços recentes na economia.

Dentre os dados divulgados nesta terça – feira, foi observado que a inflação ao consumidor nos EUA desacelerou mais do que o esperado, registrando 3,5% em comparação anual em junho, devido à queda nos preços da energia. Apesar disso, Warsh não se deixou levar pela euforia momentânea e declarou: “Essa não é a minha visão”.

Expectativas do Mercado e Próximos Passos

A expectativa do mercado em relação à taxa de juros está muda. Os operadores estimam apenas 12% de chance de um aumento de 0,25 ponto percentual na reunião do Fed marcada para os dias 28 e 29 de julho. Essa probabilidade caiu drasticamente em comparação aos 42% estimados na segunda – feira anterior.

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No depoimento, Warsh reafirmou sua principal prioridade: trazer a inflação de volta à meta desejada. No entanto, essa meta pode frustrar as esperanças de Trump por taxas mais baixas. “Se acertarmos na política monetária — e vamos acertar — o aumento da inflação dos últimos cinco anos será coisa do passado”, assegurou.

Na próxima quarta – feira, Warsh comparecerá à Comissão de Bancos do Senado, órgão que já recomendou sua confirmação como presidente do Fed em uma votação dividida entre os partidos, onde democratas expressaram preocupações quanto à sua independência diante das influências políticas.

Sinais de Distanciamento Político

As primeiras ações de Warsh parecem indicar um distanciamento das orientações políticas tradicionais. As nomeações para forças – tarefa feitas por ele foram elogiadas por reunirem especialistas qualificados sem viés ideológico ou partidário.

Jon Faust, ex – assessor sênior no Fed, acredita que essas escolhas reforçam essa nova abordagem.

Warsh também não tem mostrado sinais claros sobre cortes nas taxas no curto prazo — uma atitude semelhante àquela que gerou críticas constantes ao seu predecessor Jerome Powell por parte de Trump. Contudo, ele agora parece ter liberdade para adotar uma visão mais neutra e focada no longo prazo.

À medida que avança em sua gestão, Warsh terá que equilibrar as pressões políticas com as necessidades econômicas do país. Especialistas observam que sua capacidade de manter essa independência será testada conforme desafios inflacionários persistirem.

A relação entre Warsh e Trump poderá ser colocada à prova caso continue a pressão pela redução das taxas ou mudanças nas diretrizes econômicas durante seu mandato. Por enquanto, porém, tanto ele quanto outros observadores reconhecem um ambiente relativamente positivo no relacionamento entre o novo presidente do Fed e o ex – presidente.

Autor(a):

Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.

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