Investigação da PF sobre Lulinha pode complicar campanha de Lula, avaliam especialistas

A investigação da PF sobre Lulinha pode gerar um desgaste significativo na imagem de Lula, afetando sua campanha nas eleições de 2026.

Lulinha investigado pela PF dificulta campanha de Lula?

Na quinta – feira (31), o comentarista da CNN José Eduardo Cardozo e o empresário Leonardo Bortoletto discutiram no programa O Grande Debate a investigação da Polícia Federal (PF) sobre Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”, e seu impacto na campanha do pai, o ex – presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A PF solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um inquérito para apurar se Lulinha cometeu tráfico de influência em relação ao Ministério da Saúde no processo de autorização para a comercialização de cannabis medicinal.

O pedido foi atribuído ao ministro André Mendonça, que já havia autorizado a investigação. Este não é o primeiro episódio envolvendo Lulinha em investigações. Ele também foi mencionado em um inquérito sobre desvios do INSS, sob relatoria do mesmo ministro, devido à sua ligação com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ao comentar a situação, Lula garantiu que não haverá privilégios e afirmou que, se seu filho for julgado, ele não se esconderá e voltará ao Brasil.

Impacto eleitoral da investigação

Leonardo Bortoletto considerou que a investigação pode complicar a campanha de Lula. “É óbvio que vai dificultar a campanha”, afirmou. Segundo ele, o fato de ser o filho do candidato e as recorrentes notícias negativas associadas ao nome de Lulinha são agravantes. “Todas as vezes que aparece no noticiário não é para enobrecer a família”, destacou Bortoletto.

Ele também enfatizou que investigações abertas costumam permanecer sem conclusão durante períodos eleitorais, criando um fluxo contínuo de informações que pode influenciar os eleitores. O tema da corrupção é particularmente sensível para o eleitorado brasileiro, e Bortoletto acredita que será desafiador desvincular a imagem do candidato das investigações envolvendo pessoas próximas.

Posturas contrastantes entre Lula e Bolsonaro

José Eduardo Cardoso apresentou uma visão diferente sobre a situação. Para ele, a resposta de Lula à investigação reflete uma postura republicana. Lula declarou: “Se meu filho fez besteira, ele terá que ser investigado, apurado e punido.” Cardoso comparou essa atitude à de Jair Bolsonaro, afirmando que o ex – presidente teria tentado intervir na Polícia Federal para impedir investigações sobre seus filhos — algo relatado por Sérgio Moro ao deixar o ministério.

Leia também

A diferença central, segundo Cardoso, está na postura do ocupante do cargo: “Filho meu responde como qualquer cidadão. Essa é a diferença que deve ser marcada.” Ele defendeu ainda que Lulinha não deve ser pré – julgado e observou que os fatos apresentados até agora parecem menos graves do que outras investigações anteriores.