Hepatites B e C podem permanecer assintomáticas por anos e aumentar risco de câncer
A luta contra as hepatites virais se intensifica, com a OMS buscando eliminar essas doenças até 2030, destacando a importância do diagnóstico precoce.
No Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, celebrado em 28 de julho, a discussão sobre essa questão ainda urgente nos sistemas de saúde ganha destaque. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu como meta eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030.
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Para alcançar esse objetivo, é essencial ampliar o acesso à informação, testagem, vacinação e tratamento.
As hepatites virais são causadas por cinco vírus diferentes (A, B, C, D e E), cada um apresentando características específicas. Entre eles, as hepatites B e C são as mais preocupantes devido à sua capacidade de causar infecções crônicas que muitas vezes não apresentam sintomas visíveis por anos.
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Quando o diagnóstico é feito, frequentemente o fígado já apresenta condições sérias, como fibrose avançada ou cirrose.
Importância do diagnóstico precoce
A evolução silenciosa das hepatites B e C torna o tempo um fator crucial para o diagnóstico. Quanto mais cedo a infecção for identificada, maiores serão as chances de interromper sua progressão e evitar complicações graves. Os vírus das hepatites B e C são responsáveis por cerca de metade dos casos de câncer de fígado registrados globalmente, podendo chegar a 80% em algumas regiões.
Recentemente, a hepatite D também foi classificada como cancerígena e aumenta significativamente o risco de câncer hepático. Apesar dos avanços nos últimos anos na detecção e tratamento dessas doenças, o diagnóstico ainda é um grande desafio.
Atualmente, cerca de 304 milhões de pessoas convivem com infecções crônicas pelos vírus B ou C, enquanto aproximadamente 1,3 milhão de mortes anuais estão ligadas às hepatites virais.
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Os dados da OMS revelam que apenas 13% das pessoas com hepatite B e 36% com hepatite C haviam recebido diagnóstico até 2022. No Brasil, entre os anos de 2000 e 2024, foram notificados mais de 826 mil casos de hepatites virais. A maior parte dessas notificações refere – se às hepatites B e C, que também correspondem praticamente a todos os óbitos associados à doença.
Avanços no tratamento
O cenário atual pode ser diferente do passado. Com os medicamentos antivirais de ação direta disponíveis para a hepatite C, as taxas de cura superam os 95%. Embora ainda não exista uma cura definitiva para a hepatite B, os tratamentos disponíveis ajudam a controlar a replicação viral e reduzem o risco de cirrose e câncer hepático.
A implementação dos exames laboratoriais continua sendo fundamental para confirmar infecções e orientar tratamentos clínicos. Além disso, testes rápidos têm ampliado as possibilidades de rastreamento da doença. Esses testes são simples e seguros, realizados com uma pequena amostra de sangue obtida por punção digital e podem ser aplicados em campanhas de saúde ou em áreas com acesso limitado aos serviços especializados.
Prevenção das hepatites virais
A prevenção segue sendo central na luta contra as hepatites virais. As principais formas de transmissão das hepatites B e C ocorrem através do contato com sangue contaminado. Por isso, existem rigorosas triagens para doadores de sangue no Brasil e recomendações sobre cuidados com materiais perfurocortantes.
A transmissão vertical — da mãe para o bebê — também é uma preocupação significativa na hepatite B, ressaltando a importância do pré – natal adequado. Já as hepatites A e E têm suas transmissões relacionadas principalmente ao consumo de água ou alimentos contaminados; assim sendo, saneamento básico e segurança alimentar são essenciais na redução dos novos casos.
A vacinação se destaca entre as estratégias preventivas mais eficazes. As vacinas contra as hepatites A e B têm mostrado resultados expressivos na história dessas infecções. Após a inclusão da vacina contra a hepatite A no calendário infantil brasileiro, houve uma redução superior a 98% dos casos entre crianças menores de cinco anos.
Permanecendo vigilantes
A vacina contra a hepatite B apresenta uma proteção próxima dos 96%, beneficiando grupos prioritários como crianças e adultos não vacinados. Com isso em mente, eliminar as hepatites virais como um problema de saúde pública se torna uma meta alcançável através do conhecimento científico disponível atualmente.
O desafio agora é expandir o acesso às ferramentas diagnósticas e terapêuticas necessárias para promover uma identificação precoce da infecção. Em doenças que podem evoluir sem chamar atenção durante anos, detectar precocemente não representa apenas um diagnóstico oportuno — é também uma oportunidade real para evitar cirrose, câncer hepático e milhares de mortes que poderiam ser prevenidas.