Guerra entre Ucrânia e Rússia completa cinco anos com resolução ainda distante
A guerra entre Ucrânia e Rússia, agora com cinco anos, continua a impactar profundamente a vida de milhões, refletindo uma luta que vai além do território.
A guerra entre a Ucrânia e a Rússia entra em seu quinto ano, mas a resolução do conflito ainda parece distante. O que começou como uma rápida invasão russa transformou – se em uma guerra prolongada, marcada por desgaste e atrito, com um uso crescente de tecnologia e consequências profundas na vida de milhões.
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Durante esse período, a luta deixou de ser apenas territorial, envolvendo também economia, inovação militar e resistência social em uma escala que poucos esperavam no início. Eu estive acompanhando essa evolução de perto.
Realizei três viagens à Ucrânia: em agosto de 2023, abril de 2024 e maio deste ano. Em cada visita, percorri diversas regiões do país, desde cidades mais protegidas no oeste até áreas na linha de frente no leste e no sul, além de vilarejos próximos à fronteira com a Rússia.
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Visitei locais como Kiev, Kharkiv, Lviv e Odessa, assim como regiões vulneráveis como Kherson e Kupiansk, onde bombardeios ocorrem quase diariamente.
Visitas à linha de frente da guerra
Nessas viagens, conversei com centenas de pessoas: políticos, autoridades, militares, diplomatas e civis cujas vidas foram afetadas pela guerra. Conheci soldados recém – recrutados, famílias deslocadas e até adolescentes que viveram sob ocupação russa.
Cada um deles trouxe sua perspectiva sobre como o conflito transformou suas realidades.
Em 2023, o cenário ainda era marcado por trincheiras em um contexto que lembrava conflitos do passado. A Ucrânia contava com forte apoio externo e aguardava bilhões de dólares dos Estados Unidos e da Europa para reforçar sua capacidade militar. O otimismo era palpável nas ruas após a recuperação parcial de território quando os russos recuaram da intenção de ocupar Kiev.
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Naquele período, entrevistei o presidente Volodymyr Zelensky no Palácio Mariyinsky. Ele falava sobre as preparações para uma grande contraofensiva e a modernização das forças armadas ucranianas com treinamentos baseados nas doutrinas da Otan. No entanto, a realidade do campo de batalha se mostrou mais dura do que o imaginado pelas autoridades militares.
A tão esperada contraofensiva falhou devido às sólidas defesas russas.
Cenário em mutação
Quando retornei em 2024, percebi uma mudança significativa; o entusiasmo havia dado lugar ao cansaço visível tanto entre civis quanto militares. O próprio Zelensky me recebeu com um semblante preocupado. Tornou – se evidente que o conflito não teria uma resolução rápida e crescia o temor de novas ofensivas russas.
A linha de frente estava mudando lentamente; os ganhos eram modestos e as perdas humanas aumentavam continuamente. A tecnologia começava a dominar as batalhas: drones passaram a ser fundamentais tanto para reconhecimento quanto para ataque. As forças ucranianas começaram a produzir milhões desses dispositivos anualmente para atender às necessidades do combate.
No Mar Negro, mesmo sem uma Marinha operante, a Ucrânia conseguiu afastar a frota russa utilizando drones marítimos adaptados para ataques eficazes. Já em 2025, o conflito estagnou; embora houvesse pressão russa em várias frentes, os ucranianos continuavam resistindo sem rupturas significativas.
Evolução da guerra em 2026
Hoje, em 2026, percebo que a guerra se tornou ainda mais complexa. A economia ucraniana mostra sinais claros de adaptação graças ao apoio internacional significativo recebido dos Estados Unidos e da Europa. Em Kiev, os restaurantes estão cheios e o comércio ativo demonstra um esforço constante da população para manter alguma normalidade diante das ameaças constantes.
No dia 17 de maio deste ano, presenciei um dos primeiros grandes shows ao ar livre na capital desde o início do conflito. Milhares assistiram à apresentação da banda Boom Box no estacionamento de um shopping enquanto permaneciam alertas para se refugiar ao primeiro sinal de sirene.
Entretanto, essa busca por normalidade varia conforme a proximidade da linha de frente; no leste ucraniano há controle militar rigoroso e adaptações visíveis para proteger as áreas contra ataques com drones.
Ainda sem solução clara
Além disso, as estratégias ucranianas evoluíram com investimentos em capacidades de longo alcance visando alvos dentro da Rússia. Cidades como Moscou agora são atingidas ocasionalmente pelos ataques ucranianos que buscam aumentar os custos do esforço militar russo.
No entanto, isso não altera o fato central: o conflito continua sem uma solução clara no campo de batalha. A linha de frente permanece quase congelada com escassos avanços por ambas as partes; os ucranianos têm enfrentado dificuldades significativas para controlar novos territórios.
Pior ainda é o impacto humano dessa guerra incessante; relatos civis mostram severas dificuldades na vida cotidiana durante o inverno devido à falta de aquecimento e serviços básicos essenciais. Apesar disso, a sociedade ucraniana segue buscando maneiras de manter suas rotinas funcionando em meio ao caos — uma convivência entre normalidade aparente e guerra que caracteriza profundamente este prolongado conflito sem fim à vista.