Estudo revela que a diversidade linguística já teve até 75 mil idiomas falados na humanidade

Estudo indica que a diversidade linguística da humanidade já foi muito maior, com até 75 mil idiomas, refletindo um passado cultural mais rico e complexo.

28/07/2026 05:30

2 min

Lintel de calcário chamado Lintel 48
Lintel de calcário chamado Lintel 48

Pesquisadores revelaram novas descobertas sobre a diversidade linguística ao longo da história da humanidade. Atualmente, cerca de 7.500 línguas são faladas globalmente, sendo o inglês, o mandarim, o híndi, o espanhol, o árabe e o francês as mais comuns entre nativos e não nativos.

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Entretanto, esse número está distante do pico histórico de línguas já utilizadas. Estima – se que, em um determinado momento, a humanidade tenha falado entre 30 mil e até mais de 75 mil idiomas diferentes. “Até alguns milhares de anos atrás, a humanidade habitava um mundo cultural muito mais diversificado”, afirmou Damian Blasi, autor principal do estudo e cientista cognitivo do Instituto Catalão de Pesquisa e Estudos Avançados.

Estimativas baseadas em dados históricos

A pesquisa utilizou métodos criativos para chegar a essas estimativas. Como não há evidências diretas sobre o número exato de línguas faladas na Antiguidade, os pesquisadores se basearam em registros fragmentados. A partir de dados sobre 171 sociedades de caçadores – coletores existentes na África, América do Sul e Sudeste Asiático, foi possível avaliar o tamanho dos grupos etnolinguísticos.

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Esses grupos representam cada uma das línguas distintas que poderiam ter sido faladas há cerca de 12 mil anos. Os resultados sugerem que nesse período as populações poderiam falar entre 4.500 e 6.200 línguas.

O crescimento populacional ao longo dos milênios seguintes contribuiu para a multiplicação das línguas. “Com o aumento das populações e a prática da agricultura, surgiram comunidades mais sedentárias – ambiente propício para o desenvolvimento de muitas línguas pequenas”, explicou Bowern.

Desaparecimento linguístico e colonialismo

No entanto, muitas línguas desapareceram ao longo da história devido a diversos fatores. Bowern destacou que a morte dos falantes ou a pressão para adoção de outras línguas são algumas das causas do desaparecimento linguístico. Línguas antigas também podem evoluir em novas formas; por exemplo, o latim deu origem ao francês, italiano e espanhol após a queda do Império Romano Ocidental em 476 dC.

A repressão cultural promovida por potências coloniais também teve um papel significativo nesse processo. O imperialismo linguístico se manifestou quando países como Inglaterra, Espanha e Portugal reprimiram as línguas locais em suas colônias. Em contrapartida, algumas culturas conseguiram preservar suas línguas nativas apesar da colonização.

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Cerca de metade das línguas atualmente usadas está considerada em risco de extinção. Com apenas 10% da população mundial falando 90% das línguas existentes hoje, é evidente que muitas delas têm poucos falantes ativos.

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Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.

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