Transplante fecal pode aliviar sintomas de autismo em crianças, aponta estudo da China

Pesquisadores do Primeiro Hospital Afiliado da Universidade Farmacêutica de Guangdong, na China, descobriram que o transplante de microbiota fecal lavada (WMT) pode ser uma alternativa eficaz para aliviar sintomas secundários em crianças com autismo.
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O estudo, que acompanhou 49 pacientes com idades entre 3 e 14 anos, revelou melhorias significativas na qualidade do sono e na função intestinal, especialmente entre aqueles que enfrentavam constipação crônica.
Os resultados da pesquisa apontaram que a aplicação de dois ciclos de transplante fecal reduziu drasticamente as pontuações relacionadas a distúrbios do sono. Os cientistas notaram que a melhora no descanso noturno ocorreu em sincronia com a regularização das fezes, medida pela Escala de Bristol.
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Crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) frequentemente apresentam problemas intestinais, que estão associados a dores abdominais e irritabilidade.
Impacto no sono e na digestão
A estabilização da microbiota por meio do transplante ajudou não apenas a regularizar o trânsito intestinal, mas também a reduzir comportamentos extremos como agressividade e automutilação. Essas reações muitas vezes são exacerbadas pelo desconforto físico e pela falta de sono.
O estudo enfatiza que ao melhorar a saúde intestinal, há um impacto positivo nas condições emocionais e comportamentais das crianças envolvidas.
A base científica para esse tratamento se apoia no conceito do eixo microbiota – intestino – cérebro. Segundo essa teoria, a constipação prolongada aumenta o contato de toxinas metabólicas com a parede intestinal, permitindo que essas substâncias cheguem ao cérebro e afetem tanto o comportamento quanto o sistema nervoso.
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O transplante de microbiota fecal é fundamental para remover resíduos prejudiciais e introduzir bactérias benéficas provenientes de doadores saudáveis.
Segurança e alternativas farmacológicas
Outro aspecto importante abordado no estudo é a segurança do procedimento. Durante as sessões de transplante realizadas via sonda ou endoscopia colorretal, não foram registrados eventos adversos graves. Para os pesquisadores, essa técnica desponta como uma opção promissora frente às limitações dos medicamentos psicotrópicos tradicionais, que podem causar dependência ou efeitos colaterais indesejados como náuseas e inibição do sistema nervoso central.
Apesar dos resultados animadores, os autores alertam para o fato de que o tamanho da amostra ainda é pequeno. Eles enfatizam a necessidade de um acompanhamento clínico rigoroso para validar a eficácia do tratamento em longo prazo. A pesquisa representa um passo importante na busca por novas abordagens terapêuticas para crianças com autismo.
Autor(a):
Júlia Mendes
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.



