Estudo do IES revela 49 práticas antiéticas na saúde brasileira
O estudo do IES destaca a gravidade das práticas antiéticas na saúde, evidenciando riscos que comprometem a eficiência e a confiança no setor.
Um levantamento realizado pelo IES (Instituto Ética Saúde) em conjunto com o Grupo de Pesquisa Contratações Públicas da PUC – SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) revelou a existência de 49 práticas antiéticas na rede de saúde do Brasil.
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As irregularidades identificadas incluem fraudes em licitações, direcionamento de editais, pagamentos indevidos, conflitos de interesse, glosas abusivas e negativa de cobertura por planos de saúde, além de desvio de recursos públicos e uso inadequado de dados e inteligência artificial.
Os pesquisadores analisaram registros institucionais e casos concretos ao longo de uma década, utilizando denúncias recebidas e informações obtidas por meio de acordos de cooperação. Com esses dados, foi desenvolvido um sistema que classifica as práticas antiéticas e identifica padrões comportamentais, permitindo a avaliação dos riscos associados e o suporte a estratégias preventivas em diferentes segmentos da saúde.
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Divisão das Práticas Antiéticas
A partir da análise, as práticas foram categorizadas em dez temas. O Poder Público e a Saúde Suplementar aparecem no topo do ranking com nove práticas identificadas. Em seguida, vêm os conflitos de interesse, com oito práticas; seguido por questões regulatóriassanitárias, com quatro; e faturamentotributário, ética profissional e organizações sociais (OSS), cada uma com três.
Por último, segurança assistencial e dadosinteligência artificial apresentam duas práticas cada.
Os dados coletados pelos pesquisadores indicam que comportamentos antiéticos não costumam ocorrer isoladamente. Na maioria das situações, essas ações estão ligadas a fragilidades na governança, falhas nos controles internos e incentivos econômicos inapropriados.
Além disso, as consequências dessas práticas vão além das entidades envolvidas diretamente. Elas geram desperdício de recursos financeiros, comprometem a eficiência nas compras tanto públicas quanto privadas, distorcem a concorrência entre empresas e afetam a confiança nas instituições.
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Isso pode resultar na limitação do acesso da população a produtos e serviços essenciais à saúde.
A importância da prevenção
Sérgio Rocha, presidente executivo do IES, ressalta que enfrentar essas práticas demanda mais do que mecanismos punitivos. “É preciso compreender como esses comportamentos se manifestam”, afirma ele. Rocha acredita que é fundamental entender os ambientes onde surgem essas ações e quais fatores contribuem para sua repetição.
A criação desse sistema estruturado oferece uma base técnica que pode fortalecer programas de integridade nas organizações.
Os autores do estudo defendem que essa sistematização não só ajuda as organizações a identificar riscos como também pode ser um importante recurso para desenvolver indicadores setoriais. Além disso, ela subsidia pesquisas acadêmicas, aperfeiçoa os mecanismos de controle existentes e fomenta políticas públicas voltadas ao fortalecimento da integridade no setor da saúde.