Estados Unidos impõem novas tarifas sobre produtos brasileiros e agronegócio se reestrutura

Setores do agronegócio brasileiro se adaptam às novas tarifas dos EUA, enquanto aguardam regulamentação que pode impactar negociações futuras.

20/07/2026 06:01

4 min

Cana-de-açúcar em Valparaíso
Cana-de-açúcar em Valparaíso

As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros marcam um novo capítulo nas relações comerciais entre os dois países. Sem muitas esperanças de uma resolução rápida através das negociações diplomáticas, setores do agronegócio brasileiro já iniciam a reestruturação de suas estratégias.

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Eles buscam reforçar a presença em Washington, preparar pedidos de exceção para certos produtos e estruturar uma contestação futura na Organização Mundial do Comércio (OMC.

Em entrevista ao CNN Agro, Welber Barral, ex – secretário de Comércio Exterior e sócio da BMJ Consultores, afirmou que essas tarifas representam apenas uma faceta de uma disputa comercial mais ampla. A investigação iniciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301, aumenta o poder de pressão do governo americano e deve impactar as negociações nos próximos meses.

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Barral ressalta que os Estados Unidos têm usado esse instrumento para estabelecer bases legais que possibilitem a imposição de tarifas e a negociação de concessões com seus parceiros comerciais.

Impacto nas Propostas Americanas

No caso do Brasil, as propostas norte – americanas vão além do comércio agrícola e abordam assuntos considerados estratégicos pelo governo brasileiro, como minerais críticos e plataformas digitais. “Muitas das propostas são bastante unilaterais e algumas nem dependem exclusivamente do Executivo brasileiro, pois envolvem questões que ainda estão sendo discutidas no Congresso Nacional”, explica Barral.

O primeiro desafio agora será acompanhar a regulamentação dessas novas tarifas. O governo dos EUA deve publicar até o dia 22 um ato executivo que detalhará como as medidas serão implementadas. Um dos pontos aguardados é a substituição da atual tarifa geral de 10% por uma nova alíquota relacionada à investigação sobre trabalho forçado. “A expectativa é que isso ocorra, mas precisamos aguardar o texto oficial para entender como ficará essa regulamentação”, acrescenta Barral.

Mobilização para Exceções Tarifárias

Dentre os setores que enxergam oportunidades para negociação está o açúcar orgânico. Barral aponta que, ao contrário do açúcar convencional — tradicionalmente protegido por um forte lobby dos produtores americanos — o mercado de açúcar orgânico apresenta uma oferta limitada nos Estados Unidos. “Se demonstrarmos que a tarifa prejudica consumidores e empresas americanas devido à falta de oferta interna, existe a possibilidade desse produto ser incluído em uma futura lista de exceções”, afirma.

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Por outro lado, o etanol enfrenta desafios maiores nesse contexto, especialmente porque o Brasil reduziu sua dependência do mercado americano nos últimos anos e ampliou suas exportações para outros destinos.

Possíveis Consequências na OMC

Simultaneamente às negociações bilaterais, o Brasil deverá se voltar à Organização Mundial do Comércio para contestar as medidas adotadas pelos EUA. Segundo Barral, essa ação é praticamente inevitável, embora seus efeitos sejam percebidos a longo prazo. “Uma decisão na OMC pode levar três ou quatro anos.

Mesmo assim, é crucial preservar o sistema multilateral e registrar a contestação”, destaca.

Uma eventual decisão favorável ao Brasil provavelmente teria impactos apenas em um próximo mandato presidencial nos Estados Unidos. Enquanto isso, o setor privado aposta em uma abordagem considerada mais eficaz no curto prazo: aumentar o diálogo direto com autoridades americanas.

A Importância da Presença em Washington

A experiência recente mostra que segmentos com atuação constante em Washington obtiveram resultados melhores nas negociações. O escritório de Barral representou diversos setores na capital americana, conseguindo incluir produtos como café solúvel e ferro gusa na lista de exceções tarifárias. “Nos dois casos, o sucesso foi resultado de meses de trabalho intenso”, conta ele.

Barral relata que foram realizados vários encontros com representantes do governo americano e importadores locais que apoiaram suas causas. Além disso, foi possível demonstrar o impacto negativo das tarifas no mercado norte – americano tanto para consumidores quanto para a indústria local.

Esses argumentos foram fundamentais nas discussões.

Autor(a):

Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.

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