Entraves ambientais e falta de investimentos dificultam desenvolvimento da infraestrutura
A falta de investimentos e a morosidade no licenciamento ambiental comprometem a competitividade logística do Brasil, segundo Vander Costa, presidente da CNT.
Os desafios ambientais, a escassez de investimentos e a lentidão na execução de projetos são alguns dos principais obstáculos ao desenvolvimento da infraestrutura de transportes no Brasil. A análise é do presidente da CNT (Confederação Nacional do Transporte), Vander Costa, que durante entrevista ao Conexão Infra, destacou a necessidade de ampliar as concessões e tornar mais previsíveis os investimentos.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Ele também pediu mudanças no processo de licenciamento ambiental.
Costa mencionou que um dos maiores entraves é a demora na emissão de licenças ambientais para grandes projetos ferroviários. Ele citou como exemplo a Ferrogrão, uma ferrovia projetada para facilitar o escoamento da produção agrícola do Centro – Oeste para os portos do Arco Norte.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Contradições na agenda ambiental
Durante a conversa, o presidente da CNT ressaltou que barrar projetos ferroviários vai contra a agenda ambiental, já que esse modal consegue transportar maiores volumes de carga enquanto emite menos poluentes. “Um dos grandes problemas de entraves no desenvolvimento da infraestrutura de transporte no Brasil é a insistência do meio ambiente em negar as licenças”, afirmou Costa.
Apesar das críticas ao processo de licenciamento, ele defendeu que as obras continuem exigindo compensações ambientais e metas para atingir carbono zero. Segundo Costa, as concessões devem incluir obrigações para que os empreendedores recuperem áreas degradadas e mantenham fiscalização constante sobre a preservação ambiental durante toda a operação dos empreendimentos.
Prioridades nas obras hidroviárias
Além das ferrovias, o presidente da CNT apontou obras hidroviárias como prioritárias para aumentar a competitividade logística do país. Entre essas iniciativas estão a derrocagem do Pedral do Lourenço, localizado no Rio Tocantins, e a dragagem na Hidrovia do Tapajós, que enfrenta resistência por parte de comunidades indígenas.
Costa explicou que períodos de estiagem comprometem o transporte nessas rotas e aumentam os custos logísticos. Ao abordar o tema cabotagem, ele destacou que o Brasil precisa simplificar os procedimentos de embarque nos portos, aproximando – os do modelo já utilizado no transporte rodoviário.
Leia também
Isso garantiria liberações mais rápidas para movimentação das mercadorias.
A importância dos investimentos em infraestrutura
No tocante aos investimentos necessários em infraestrutura, Vander Costa enfatizou que o país deve aumentar os aportes financeiros sem descuidar da responsabilidade fiscal. Um levantamento realizado pela CNT aponta que o Brasil necessita de R 2,03 trilhões para eliminar os principais gargalos logísticos existentes.
Ele argumentou ainda que, devido às dificuldades orçamentárias enfrentadas pelo governo, é essencial combinar recursos públicos e privados. O foco deve ser direcionado às concessões voltadas para projetos economicamente viáveis e utilizar investimentos públicos em regiões onde o mercado não demonstra interesse imediato.
Isso pode tornar esses ativos atrativos ao setor privado no futuro e aliviar o orçamento público.
No caso específico das ferrovias, Costa observou que os altos custos envolvidos na implantação tornam ainda mais crucial o investimento privado. Projetos ferroviários necessitam de aportes bilionários e tendem a ser viáveis principalmente em corredores com grande movimentação de cargas, como minério e grãos, além das ligações estratégicas com os principais portos brasileiros.