Elisabetta Recine diz: insegurança alimentar severa cai drasticamente no Brasil em 2025

Elisabetta Recine destaca queda drástica da insegurança alimentar severa no Brasil após avanços sociais e econômicos.

Projeto busca ampliar acesso à alimentação saudável e fortalecer ações de combate à fome na Paraíba

O Brasil registrou uma melhora significativa na segurança alimentar: cerca de 16,7 milhões de brasileiros deixaram o quadro da insegurança alimentar severa no período entre os anos de 2023 e 2025.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Este dado representa a menor taxa registrada desde que começou a série histórica monitorada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). As informações foram divulgadas nesta terça – feira (21) por meio do relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2026 (SOFI.

Recomeço em casa após crise sanitária

Em entrevista, Elisabetta Recine, presidenta do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, apontou o processo como um “virtuoso” retorno às condições dignas. Segundo ela, os índices brasileiros já mostravam sinais positivos desde o ano anterior.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A especialista lembrou que a situação havia melhorado pela primeira vez há muito tempo — época comparada ao governo da presidente Dilma Rousseff na década de 2014 —, mas sofreu retrocessos nas gestões seguintes dos presidentes Michel Temer e Jair Bolsonaro.

O pior momento foi no final de 2022: mais de 33 milhões de pessoas estavam passando fome por impulso pandêmico.

Fome zero como base para cidadania

Recine ressaltou, contudo, que o cenário se modificou drasticamente em menos de três anos, indicando uma recuperação robusta das condições de vida da população brasileira. Ela atribuiu esse resultado positivo a um combo poderoso formado pela retomada econômica aliada às políticas sociais implementadas recentemente na área do país.

“É importante porque as pessoas estarem seguras alimentarmente é fundamental; isso serve de sustentação básica não só individual, mas também toda sociedade”, avaliou Recine sobre os achados mais recentes. A especialista enfatizou ainda: “Não dá para pensar que alguém preocupado apenas com garantir sua refeição naquele dia consiga planejar ou organizar qualquer rotina.”

Leia também

Desigualdades e desafios globais

Olhando o panorama mundial no relatório SOFI 2026, a professora Elisabetta Recine destacou pontos críticos. Ela apontou negativamente sobretudo a situação do continente africano.

“Antes era a Ásia quem apresentava maior insegurança alimentar; agora é África”, explicou ela em relação à mudança de foco geográfico. Essa alteração está diretamente ligada aos conflitos internos que causam uma ruptura tanto nas políticas sociais quanto na própria produção global de alimentos.

Acesso limitado ao consumo saudável. Outro ponto preocupante levantado pelo estudo foi o acesso universal e adequado a dietas saudáveis: aproximadamente 2 bilhões de pessoas no planeta não conseguem garantir esse tipo específico de alimentação. Segundo os dados, cerca de 30% da população mundial carece dos recursos financeiros para comprar até mesmo um cardápio minimamente diversificado.

“O Brasil e toda América Latina enfrentam este desafio em particular”, analisou Recine sobre as regiões sul – americanas. Ela concluiu que essa dificuldade está ligada tanto à capacidade produtiva diversa quanto às questões estruturais geradas pela inflação alimentar.”