El Niño pode causar prejuízo de até US 20 bilhões à África e migração por comida

Um “super”El Niño pode causar prejuízos que variam entre US 10 bilhões e US 20 bilhões para os países africanos mais afetados, além de provocar uma migração significativa das áreas em crise. A informação é de Anthony Nyong, diretor de Mudanças Climáticas e Crescimento Verde do Banco Africano de Desenvolvimento (AfDB), em entrevista à Reuters.
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O fenômeno climático poderá agravar a já precária situação de recursos e competição por terras e água nas regiões vulneráveis do continente.
Estima – se que as perdas na agricultura fiquem em torno de US 327 milhões, enquanto a produtividade da pesca pode cair entre 1% e 4%. Meteorologistas alertam que o El Niño, conhecido por provocar secas severas, enchentes e tempestades na África, pode ser um dos mais intensos já registrados se as atuais tendências de aquecimento do Oceano Pacífico persistirem.
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Impactos econômicos e sociais
Além das ameaças à segurança alimentar e hídrica, a infraestrutura danificada por desastres naturais pode comprometer as finanças públicas e o setor bancário. Nyong destacou que o evento pode impactar entre 1% a 2% da economia africana, representando um custo total entre US 10 bilhões e US 20 bilhões.
Essas projeções foram apresentadas pelo AfDB pela primeira vez em relação ao impacto do El Niño.
As previsões mais recentes do banco, divulgadas em maio, previam um crescimento econômico de 4,2% para a África em 2026, com uma leve alta para 4,4% em 2027. No entanto, esse cenário foi desenhado antes das previsões sobre o “super” El Niño.
A divisão dos impactos por país não foi especificada, mas Nyong alertou que os efeitos serão amplos.
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As condições de seca no Sahel têm perdurado nos últimos anos e podem continuar. A experiência de Moçambique após o ciclone Idai, em 2019, demonstra que a recuperação após grandes tempestades pode levar anos. Além disso, muitos governos enfrentam o que Nyong chamou de “armadilha do financiamento climático”, onde faltam recursos para responder às crises e obrigam os países a redirecionar verbas essenciais.
Cenário atual da agricultura e pesca
No contexto atual, o evento El Niño de 2023 a 2024 já está causando secas severas no sul da África enquanto provoca chuvas intensas com enchentes no leste do continente. Isso tem resultado em aumento acentuado dos preços dos alimentos e recordes históricos no nível do mar ao longo das costas africanas.
Os agricultores enfrentam perdas de renda próximas a US 330 milhões neste ano devido às alterações climáticas.
A temperatura elevada do mar e as tempestades também têm afetado drasticamente o setor pesqueiro. Quando ocorrem esses choques climáticos, os países acabam retrocedendo economicamente. “Não queremos que nossos países voltem a mergulhar na pobreza”, afirmou Nyong.
Um relatório recente da ONU indicou que até 2035 os países em desenvolvimento precisarão reunir cerca de US365 bilhões anualmente para enfrentar as mudanças climáticas. Entretanto, apenas US 26 bilhões foram destinados globalmente à adaptação climática em 2023.
Migração forçada pela crise alimentar
A pressão humanitária causada pelo El Niño deve agravar ainda mais a situação nas regiões afetadas. Países como Sudão, Sudão do Sul, República Democrática do Congo, Somália, Mali, Burundi e Nigéria estão entre os mais vulneráveis. “Quando este El Niño chegar, haverá uma migração em massa”, afirmou Nyong.
Ele também previu que o preço do milho — alimento básico na região — deverá dobrar.
Nyong enfatizou que é fundamental agir para fortalecer a resiliência antes dos desastres acontecerem. Esse tema será central nas futuras negociações climáticas globais programadas para novembro na Turquia. “É mais barato construir uma cerca ao redor de um precipício do que pagar por ambulâncias caras esperando no fundo para socorrer quem cair”, concluiu ele.
Autor(a):
Lara Campos
Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.



