Coordenador do Observatório aponta crise como causa principal de fluxo migratório na África

Crise humanitária na África impulsiona fluxo migratório com consequências graves para imigrantes em 2026.

Soldados controlam enquanto imigrantes atravessam de volta ao Marrocos depois de cruzarem a fronteira para entrar na cidade espanhola de Ceuta, no Norte da África. 31/07/2026

Ao menos cinco imigrantes morreram ao tentar chegar à costa em nado durante uma travessia perigosa no norte da África.

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Segundo dados do governo espanhol, mais de 49 mil pessoas cruzaram o território na última jornada e entraram nas fronteiras localizadas no continente africano dentro apenas de um período de vinte e quatro horas. A maioria dos indivíduos registrados são jovens marroquinos; contudo, entre os que atravessavam também havia famílias inteiras com crianças pequenas envolvidas nos deslocamentos

A migração como instrumento político

O fluxo massivo tem raízes históricas complexas para a região. Em entrevista concedida ao Conexão BdF, produzido pela Rádio Brasil de Fato, Luis Felipe Magalhães, coordenador – adjunto do Observatório das Migrações em São Paulo, explicou o histórico intenso da movimentação na área.

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Para ele, países vizinhos utilizam esse movimento populacional — impulsionado por investimentos bilionários vindos da União Europeia nas fronteiras externas— quase que automaticamente como uma ferramenta estratégica e um meio de pressão política ou obtenção de recursos financeiros.

Magalhães aponta essa situação como “consequência de um modelo imperialista de controle e produção de fronteiras externas”. Nesse cenário desfavorável para os migrantes, eles acabam sendo usados meramente como “moeda de troca” durante disputas diplomáticas acirradas entre diferentes nações

Causas profundas dos deslocamentos

O analista ressalta que o verdadeiro motor desses movimentos não é apenas a migração em si. Ele atribui as causas primárias à desigualdade social persistente, injustiças estruturais históricas e atos generalizados de violência.

A gravidade da situação foi amplificada por fatores globais recentes: crises climáticas intensificaram ainda mais esses desafios já existentes nos países onde os migrantes nascem ou vivem. Magalhães enfatiza que recorrer às travessias perigosíssimas se torna frequentemente uma das poucas opções restantes para quem enfrenta condições insustentáveis no país natal

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Foco na prevenção global

Diante do quadro apresentado pelas fronteiras militarizadas, o especialista defende urgentemente mudar a perspectiva mundial. O foco deveria ser garantir aos indivíduos não apenas um direito de passagem segura e ordenada.

“Não é migração que cria crise; são as crises que criam os migrantes”, resume Magalhães em suas palavras mais incisivas sobre o tema da diáspora. Para ele, portanto, soluções eficazes só surgirão com políticas públicas globais robustas e sistemas internacionais avançados capazes de atacar diretamente as raízes dessa desigualdade estrutural.”

É fundamental criar condições para que tanto quem deseja permanecer no país possa realizar seus sonhos profissionais quanto aqueles forçados à saída possam ter alternativas seguras. Assim deve ser pensada a cooperação internacional: oferecer às pessoas uma possibilidade real — seja por meio do retorno seguro ou pela permanência digna —, sem depender apenas das fronteiras.