‘Clima é de Luta’: Manifestantes encerram Semana Climática em Porto Alegre
Porto Alegre demonstra resistência com Semana Climática após tragédia histórica; Anistia Internacional aponta falhas na gestão do Estado.
A defesa das florestas urbanas e a justiça climática foram os temas centrais de um grande ato realizado na manhã deste domingo, dia 26 em Porto Alegre. Sob o lema “O clima é de luta”, manifestantes percorreram entre Largo Zumbi dos Palmares e Parque da Redenção.
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Movimentos sociais diversos — incluindo organizações civis, pesquisadores ambientais e representantes do Rio Grande do Sul interiorano —, reuniram forças para debater propostas que enfrentem uma emergência já latente no estado após as fortes chuvas recentes; cenário pouco mais de dois anos depois da maior tragédia climática gaúcha.
A primeira Semana de Ação Climática reuniu diversas frentes em Porto Alegre.
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Mobilização Social como Marco na Justiça Climática
Durante a semana anterior ao ato final, ocorreu a 1ª Semana de Ação Climática de Porto Alegre. O evento congregou universidades e coletivos ambientais para construir propostas concretas voltadas à crise do clima.
Para Jurema Werneck, diretora executiva da Anistia Internacional Brasil — que também é enviada especial (COP 30) —, esta edição marca um ponto alto no movimento por justiça climática. Ela destacou o contraste entre os dois anos após as enchentes: “Porto Alegre estava no mapa global pela tragédia; agora entra com outra mensagem”.
O legado foi demonstrar a capacidade organizacional gaúcha
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Segundo Werneck, grande parte desse sucesso reside na organização robusta e preparatória feita pelo próprio movimento social do Rio Grande do Sul. As 94 atividades autogestionadas foram consideradas diagnósticos extremamente consistentes.
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A dirigente ainda questionou se houve total preparação dos governos mais de dois anos depois das inundações em ‘2024’. Ela levantou dúvidas sobre o destino financeiro da reconstrução estadual, apontando que milhões investidos no RS não têm clareza pública para as pessoas desalojadas ou desabrigadas saberem onde esse dinheiro foi aplicado.
Confronto entre Soluções Naturais e Megaprojetos
Críticas a empreendimentos sem base ambiental
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Entre os temas debatidos na semana climática, Werneck fez críticas diretas à expansão de megaconstruções. Ela argumentou contra projetos como data centers por considerá – los contrários às soluções que devem ser implementadas em favor da natureza (Nature Based Solutions.
Na visão dela, esses grandes investimentos consomem recursos vitais para o consumo humano básico — energia elétrica crucial ou água potável —, além de destruir vastas áreas territoriais.
Infraestrutura e Causas dos Desastres
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A análise apontou ainda um problema nas obras realizadas após a tragédia climática do Rio Grande do Sul; Werneck observou que os esforços priorizaram apenas “botar ponte no lugar” com asfalto. O foco foi na infraestrutura superficial sem enfrentar diretamente causas estruturais desastrosos da região.
Vozes Locais em Defesa Territorial
Ao longo dos dias dedicados ao debate climático, a ativista visitou diversas comunidades afetadas pela crise ambiental do estado. Ela relatou um caso específico onde moradores vizinhos buscaram ajuda após máquinas chegarem inesperadamente para remover casas no quilombo local; os responsáveis não haviam fornecido qualquer tipo de informação prévia Esse padrão foi replicado por outras áreas: terreiros que foram impactados pelas enchentes estão apresentando seus próprios censos detalhamentos investigativos em oposição às políticas estaduais incompatíveis com sua organização cultural e social
A defesa das florestas urbanas é pauta unificadora
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Sophia Maia Rous, ativista socioambiental, destacou como a caminhada conseguiu unir duas grandes causas na capital gaúcha. A primeira era a luta pelo clima; a segunda envolvia defender todas as florestas da cidade de Porto Alegre contra ameaças constantes impostas pela especulação imobiliária urbana.
Ela reforçou que os eventos climáticos extremos não atingem aleatoriamente o território, mas sim sempre aquelas populações já vulneráveis e mais pobres do Rio Grande do Sul em geral. Proteger áreas verdes seria garantir um futuro para todos ali residentes.
Outras frentes defendendo direitos
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Impactos das chuvas no Vale Taquari até hoje
Representando a Themis – Gênero, Justiça e Direitos Humanos, Fabiane Lara afirmou na ocasião como realizar essa Semana de Ação Climática durante o retorno dos eventos chuvosos reforçou ainda mais que é vital ouvir cientistas junto aos movimentos sociais locais e às comunidades diretamente afetadas pela água em excesso.
Para ela, não há justiça climática se os diretos humanos dessas pessoas ficarem fora do centro da discussão.
Gilmara Medeiros, militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), denunciou novas situações no Vale Taquari: famílias estão novamente desabrigadas ali; além disso, moradores das ilhas também vivem sob grande apreensão devido ao nível crescente das águas nas ruas de Porto Alegre.
A luta continua na defesa ambiental
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Defesa e o Futuro em Risco pelas Corporações Imobiliárias
Cristina Furcht de Aguiar falou sobre a importância da preservação florestal. Ela lembrou que uma área específica ainda mantém cerca de quarenta hectares de vegetação nativa — um número muito abaixo dos cinquenta ha originais, já tendo dez hectáreas sido desmatadas para construção do Cestto pelo grupo Zaffari.
Para ela, defender essa mata é proteger as próximas gerações; “Vamos seguir lutando”, afirmou Werneck no encerramento: “Antes ser pela floresta, [é] por nós e pelos nossos descendentes…”.
Articulação política em Porto Alegre
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A Articulação entre Coletivos na Capital Gaúcha
Eneida Brasil, representando o coletivo Cidade Baixa de Luta, enfatizou que a defesa do clima deve passar obrigatoriamente pelo combate à gentrificação. Segundo ela, os processos verticais estão sufocando tanto a arquitetura original quanto toda cultura histórica da região.
Alan da Costa (do [nome omitido]) destacou como é fundamental fortalecer essa rede articulada: “Começamos nosso movimento em Cachoeirinha e fomos nos aproximando… É isso que precisamos”.
Conclusão sobre mobilização
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