Choque entre política fiscal e juros pressiona dívida pública a R 1,16 trilhão em 2026
A pressão sobre a dívida pública pode intensificar a crise fiscal, afetando a economia e a arrecadação nos próximos anos.
Uma política fiscal expansionista que contrasta com os esforços do Banco Central para conter a economia está pressionando o nível da dívida pública, conforme apontam economistas consultados pelo CNN Money. Eles destacam que, além do cenário global caracterizado por juros elevados, a manutenção dos gastos públicos é um fator que força a política monetária do Banco Central a manter uma postura contracionista.
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Luiz Fernando Figueiredo, ex – diretor do BC e presidente do conselho de administração da Jive Mauá, explica que “os juros altos são uma consequência de um problema que não é estrutural”. Segundo ele, para que a inflação diminua, o Banco Central precisa desacelerar a atividade econômica e moderar o crescimento.
No entanto, o governo está ampliando os gastos rapidamente.
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Crescimento da Dívida Pública
No acumulado de doze meses até junho, o custo com juros atingiu R 1,16 trilhão, representando 8,8% do PIB (Produto Interno Bruto), em comparação aos R 912,3 bilhões (7,41% do PIB) registrados nos doze meses anteriores. Atualmente, a taxa básica de juros no Brasil é de 14,25% ao ano.
Com incertezas à frente, especialistas preveem que a Selic deve cair lentamente. A pesquisa Focus indica que a expectativa é de que essa taxa permaneça em dois dígitos até 2028.
Carlos Kawall, sócio proprietário na Oriz Partners e ex – secretário do Tesouro Nacional, analisa que o nível atual da taxa de juros “não é explosivo” como em crises anteriores. Contudo, ele ressalta que “o patamar da dívida é muito mais alto”.
Para Kawall, “o tempo em que podemos conviver com esse juro real elevadíssimo não é tão longo”, acrescentando que o crescimento acelerado da dívida e das taxas de juros está sufocando o setor privado.
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Ele alerta sobre a possibilidade de uma recessão: “Quando isso acontecer, vai agravar ainda mais o problema fiscal porque a arrecadação cai”. Para Kawall, “não tem como sobreviver por tanto tempo com esse nível de juro real e a dívida pública crescendo”.
Projeções Futuras
A Dívida Bruta do Governo Geral – incluindo o governo federal, o INSS e as administrações estaduais e municipais – avançou para R 10,4 trilhões. Se essa trajetória continuar, estima – se que esse montante ultrapasse R 12 trilhões entre 2032 e 2035, conforme um estudo da Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados.
O país enfrenta um cenário de “fadiga fiscal”, caracterizado pela perda da capacidade de estabilizar a dívida através da geração de superávits primários. Isso ocorre devido aos limites tanto para aumentar impostos quanto para cortar despesas correntes.
Paulo Bijos, consultor e autor do levantamento mencionado, afirma: “O Brasil já opera em uma região de resistência para novos aumentos na carga tributária”, observando também que os gastos públicos estarão sob pressão nos próximos anos devido à transição demográfica em curso no país.