Casos de câncer em adultos com menos de 50 anos aumentaram 79% nas últimas três décadas, aponta OMS

O aumento significativo nos casos de câncer em adultos jovens destaca a urgência de ações preventivas e diagnósticos mais eficazes para essa faixa etária.

Casos de câncer antes dos 50 anos cresceram nas últimas décadas

Um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado em julho de 2026, revelou um aumento alarmante de 79,1% nos casos de câncer em pessoas com menos de 50 anos ao longo das últimas três décadas. A pesquisa analisou dados coletados entre 1990 e 2019 e destacou que, embora os idosos ainda sejam os mais afetados, representando 53% dos 20,6 milhões de casos registrados globalmente em 2024, a tendência entre adultos jovens precisa ser urgentemente avaliada.

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O Prof. Dr. Ramon Andrade de Mello, oncologista do Centro Médico Paulista High Clinic Brazil e vice – presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, enfatiza que o crescimento dos diagnósticos em indivíduos mais jovens não pode ser ignorado. Entre as causas desse fenômeno, ele aponta que, para alguns tipos de tumor, como os de mama e tireoide, o aumento pode estar relacionado ao maior rastreio e sobrediagnóstico. “Quanto mais uma população é examinada, maior é a possibilidade de encontrarmos tumores que permaneceriam desconhecidos”, explica o especialista.

A importância do diagnóstico precoce

O Dr. Ramon destaca que a ampliação dos exames não é a única explicação para o aumento dos casos. Há populações que não são submetidas a rastreamento rotineiro também apresentando esse crescimento, o que sugere a influência de outros fatores como obesidade, sedentarismo e alimentação inadequada.

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Na prática, isso revela uma necessidade urgente de identificar esses fatores contribuintes.

Outro ponto crucial abordado pelo médico é a dificuldade na identificação do câncer em adultos jovens. Muitos tumores não apresentam sintomas nas fases iniciais ou manifestam – se com sinais discretos e inespecíficos. “A grande parte das pessoas com menos de 50 anos não está incluída nas faixas etárias recomendadas para rastreamento.

Portanto, muitos casos só serão investigados quando surgirem sintomas ou por meio de diagnósticos acidentais”, ressalta.

Recomendações para o futuro

O relatório da OMS recomenda um fortalecimento dos registros de câncer para monitorar quais tipos estão aumentando e identificar os grupos populacionais mais afetados. Essa informação pode guiar futuras mudanças nas recomendações sobre rastreamento e estratégias de prevenção.

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De acordo com o Dr. Ramon, é essencial que o rastreamento seja fundamentado em evidências concretas que demonstrem que os benefícios superem os riscos potenciais. “Submeter toda a população jovem a exames pode resultar em um número elevado de falsos positivos, gerando ansiedade desnecessária e levando a procedimentos invasivos sem necessidade”, alerta ele.

O foco deve ser encontrar um equilíbrio entre prevenção e qualidade de vida.