Cáritas aponta desafios na economia solidária mineira

Cáritas identifica obstáculos na economia solidária mineira com desafios para o futuro econômico do estado.

16/07/2026 18:04

4 min

Feira Estadual de Economia Solidária em Contagem
Feira Estadual de Economia Solidária em Contagem

A economia popular em Minas Gerais, marcada por profundas desigualdades sociais do país, foi mapeada recentemente para revelar tanto o potencial quanto os desafios enfrentados pelos empreendimentos econômicos solidários na região.

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O Diagnóstico Socioeconômico e Produtivo dos Empreendimentos Econômicos Solidários fez um levantamento inédito de 208 grupos espalhados por 75 municípios mineiros. A pesquisa aponta que a iniciativa é vital nas periferias urbanas até as comunidades rurais, reunindo quase quatro mil pessoas dedicadas à autogestão coletiva da renda.

Perfil das iniciativas: quem compõe essa força produtiva

Elaborado pela Cáritas Regional Minas Gerais em parceria com o Instituto Ponte de Assessoria a Projetos, este estudo mostra como os empreendedores se organizam na cooperação e distribuição conjunta dos ganhos. Os dados revelaram um perfil majoritariamente feminino entre os participantes; no total de 3.919 envolvidos pelo diagnóstico, mulheres representam uma parcela significativa (65%.

Além disso, há forte presença histórica do trabalho negro nos grupos solidários mineiros, sendo que cerca de dois terços desses coletivos são formados predominantemente por pessoas pretas ou pardas.

Informalidade limita acesso ao crédito em Minas Gerais

Apesar da força comunitária demonstrada pelos empreendimentos — muitos deles operando na casa dos membros —, o estudo apontou obstáculos estruturais significativos para a consolidação dessas atividades econômicas. Mais da metade das iniciativas mapeadas atua sem registro jurídico formal (informais), totalizando 52,4% dos casos estudados no período entre fevereiro e agosto de 2025.

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Essa informalização dificulta muito que os grupos consigam acessar políticas públicas ou financiamentos bancários formais. Embora as associações representem um terço desses coletivos (25%), apenas uma pequena porcentagem opera como cooperativa; somente 6,7% utilizaram esse modelo legalmente estabelecido em Minas Gerais neste diagnóstico específico.

Produção artesanal é o foco principal. A atividade mais desenvolvida pelos empreendimentos solidários ainda está ligada à produção física: quase dois terços dos grupos atuam na fabricação e comercialização de bens variados, incluindo alimentos frescos, artesanato local ou hortaliças cultivadas no entorno.

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Outra área importante concentra esforços nos serviços relacionados ao comércio coletivo (cerca de 30%.

As feiras livres permanecem como canal primário para a venda desses produtos em Minas Gerais; elas respondem por aproximadamente 65% das formas identificadas pelo diagnóstico. Contudo, essa dependência é um ponto crítico que gera faturamento irregular, já que muitas dessas vendas não acontecem semanalmente.

Dificuldade financeira e carências técnicas

O cenário financeiro dos grupos também preocupa os pesquisadores: apenas cerca de um terço consegue manter as contas pagas integralmente aos participantes do grupo no mês corrente. Os demais enfrentam diferentes níveis de desequilíbrio econômico — quase metade afirma dificuldades para cobrir até mesmo suas próprias despesas básicas ou pagar todos membros da equipe em conjunto na época da pesquisa.

Outro entrave crucial é o acesso ao crédito; embora perto de 70% afirmem precisar urgentemente desse financiamento, muitos relatam que as linhas disponíveis não se encaixam nas necessidades reais desses empreendimentos informais e coletivos. A carência física também pesa muito: apenas cerca de quinze por cento dos grupos possuem sede própria estabelecida.

A maioria precisa trabalhar com espaços improvisados no dia a dia produtivo do grupo.

Impacto social além da renda

Mesmo diante das dificuldades estruturais — como os desafios para encontrar pessoas experientes em vendas ou o risco apontado pelo envelhecimento natural alguns núcleos —, esses trabalhadores destacaram conquistas importantes na vida comunitária.

O principal resultado é, sem dúvida, tanto gerar quanto ampliar a fonte de receita familiar e individualmente. Além disso, há um forte impacto positivo sobre o fortalecimento coletivo dos laços entre as integrantes; também melhorou significativamente a consciência política local nas comunidades onde estão inseridos.

Para finalizar este panorama atualizado do setor econômico solidário mineiro, Cáritas Regional Minas Gerais informou que o estudo dará origem à novas pesquisas desenvolvidas junto com a Universidade Federal de Viçosa (UFV). Essas ações serão coordenadas pela Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da UFV para subsidiar políticas públicas voltadas ao crescimento sustentável desses empreendimentos em 2026 e anos seguintes.

Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.

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