Brics pode ser alternativa para Brasil driblar tarifas dos EUA com novo plano de R 130 milhões

O novo plano do Brasil visa fortalecer laços comerciais com o Brics, mas especialistas alertam que resultados efetivos podem demorar a surgir.

Imagem de drone mostra o Porto de Santos (SP), 31 de julho de 2025

O Brasil está se preparando para uma nova estratégia comercial a fim de driblar as tarifas impostas pelos Estados Unidos. Um plano de R 130 milhões deve ser implementado no início de agosto, conforme informou o governo federal. Analistas acreditam que o grupo Brics, que inclui a China, pode ser uma alternativa viável para diversificação das exportações brasileiras.

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No entanto, essa mudança não será simples e pode levar tempo para trazer resultados concretos. Entre 2003 e 2024, o comércio entre os países do Brics cresceu rapidamente, com exportações saltando de US 9,5 bilhões para US 118,6 bilhões e importações aumentando de US 4,1 bilhões para US 93,3 bilhões, segundo dados da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento.

Desempenho das exportações brasileiras

No primeiro semestre de 2026, apenas 9,4% das exportações brasileiras foram destinadas aos Estados Unidos. Este é o menor percentual desde 1997, conforme dados da Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil). Para Sergio Suchodolski, CEO da Fama recapital e ex – diretor geral de Estratégia e Parcerias do Novo Banco de Desenvolvimento, o Brics pode ajudar a compensar algumas dessas perdas.

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Contudo, ele alerta que isso não acontecerá de forma imediata ou integral.

Os países membros do Brics representam cerca de 49% da população mundial e 39% do PIB global. Essa relevância é um fator importante nas negociações comerciais. O Novo Banco de Desenvolvimento financia projetos nos países – membros e pode contribuir para a infraestrutura necessária à diversificação dos mercados brasileiros.

Suchodolski ressalta que esses recursos não têm como objetivo compensar diretamente as perdas dos exportadores. Em vez disso, eles podem ser utilizados em áreas como alimentos, energia e tecnologia agrícola. Porém, ele destaca que o potencial econômico do bloco não garante acesso efetivo ao mercado.

Desafios na diversificação comercial

Marcio Sette Fortes, ex – diretor do Brasil no BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), aponta mais obstáculos para que o Brics funcione como uma alternativa ao mercado norte – americano. Ele explica que muitos produtos brasileiros exportados para os EUA são manufaturados, enquanto as vendas para parceiros do Brics consistem predominantemente em commodities.

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A China é o maior importador entre os membros do Brics e sua demanda se concentra em produtos básicos. O mesmo ocorre com a Índia, onde as exportações brasileiras são majoritariamente compostas por commodities e óleos vegetais. Fortes acredita que mesmo os novos membros do bloco não conseguiriam absorver o volume perdido com a queda nas exportações destinadas aos Estados Unidos.

Planos da Apex Brasil

A Apex Brasil também está se preparando para negociar novas exceções tarifárias com os EUA em agosto. O presidente da entidade, Laudemir Müller, revelou que uma das ações incluirá custear viagens de empresários estrangeiros ao Brasil com o intuito de fechar contratos com empresas locais.

A iniciativa visa diversificar mercados e terá um foco especial na União Europeia devido ao acordo de livre comércio com o Mercosul. Além dos países europeus, a Apex pretende direcionar seus esforços à ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático) e na região da Ásia Central, incluindo nações como Uzbequistão e Cazaquistão.