Correios continuam liderando déficit das estatais, seguidos pelo setor nuclear em 2026

A situação financeira dos Correios continua crítica, com a necessidade urgente de reformas estruturais que esbarram em questões políticas e eleitorais em 2026.

01/08/2026 14:50

4 min

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Os Correios permanecem como a principal preocupação entre as estatais federais não dependentes, respondendo pela maior parte do déficit do setor. A avaliação é de Murilo Viana, especialista em contas públicas. Outras empresas que também apresentam resultados negativos incluem aquelas ligadas ao setor nuclear, com destaque para a Eletronuclear, além da Infraero, Casa da Moeda e companhias portuárias.

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Dados do Banco Central indicam que o déficit das estatais não dependentes tem se deteriorado significativamente nos últimos anos. Em junho de 2022, o resultado negativo era de R171,8 milhões. Um ano depois, esse número saltou para R 1,5 bilhão e alcançou R 1,7 bilhão em junho de 2024.

O pior desempenho foi registrado em junho de 2025, quando o déficit atingiu R 2,6 bilhões. Em junho de 2026, houve uma redução para R 1,5 bilhão, mas o valor ainda está muito acima do que foi observado quatro anos antes.

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Desafios enfrentados pelos Correios

“Os Correios são disparadamente o principal problema entre as estatais”, afirmou Viana à CNN. Para ele, mudanças estruturais na empresa são improváveis ainda em 2026. O calendário eleitoral e as discussões delicadas sobre privatizações e reestruturação dificultam o avanço nesse sentido. “Neste ano ninguém quer tratar desse assunto.

Nem governo nem Congresso”, completou.

Independentemente do resultado das eleições, a discussão sobre a situação dos Correios será inevitável. O economista enfatiza que não há como manter a atual sangria financeira da empresa. Os Correios ainda são classificados como uma estatal não dependente, ou seja, não recebem recursos do Tesouro para cobrir suas despesas correntes.

Perder essa condição significaria passar a depender diretamente do Orçamento da União, aumentando a pressão sobre as contas públicas.

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A crise dos Correios e suas causas

A crise enfrentada pelos Correios resulta de problemas históricos de gestão somados às transformações provocadas pela revolução digital.

Essa mudança impactou diretamente o modelo de negócios da estatal.

Ao mesmo tempo, os Correios deixaram de investir em modernização no momento em que o mercado de encomendas se tornou mais competitivo devido ao crescimento do comércio eletrônico. “A empresa ficou com uma estrutura de custos muito elevada e perdeu espaço nos mercados mais rentáveis”, explicou.

Outro ponto crítico é o fim gradual do subsídio cruzado que anteriormente permitia que operações lucrativas nas grandes cidades financiassem serviços em áreas remotas. Com o aumento da concorrência privada nos centros urbanos, essa fonte de receita diminuiu consideravelmente.

Resultados das medidas adotadas

O plano de reestruturação implementado pelos Correios ainda está longe de apresentar resultados satisfatórios. Medidas como programas de desligamento voluntário e venda de imóveis têm mostrado resultados abaixo do esperado. Além disso, continua sendo necessário um investimento significativo em tecnologia para recuperar competitividade no mercado.

“Os Correios não conseguem fechar as contas nem antes de fazer os investimentos necessários”, alertou Viana. Ele mencionou que muitos países enfrentam desafios semelhantes em seus serviços postais e estão discutindo alternativas como privatizações ou parcerias público – privadas para garantir a prestação do serviço universal.

Dificuldades no setor nuclear

O segundo maior problema financeiro entre as estatais federais está concentrado nas empresas do setor nuclear, especialmente na Eletronuclear. O impasse relacionado à construção da usina Angra 3 gera altos custos financeiros sem produzir energia suficiente para justificar os gastos.

Por outro lado, interromper definitivamente o projeto demandaria bilhões para descomissionar a estrutura já construída. Além disso, Angra 1 e Angra 2 enfrentam dificuldades financeiras porque a receita obtida com sua operação não cobre integralmente os custos operacionais.

Outras estatais com resultados negativos

A Infraero e a Casa da Moeda também registram déficits financeiros, embora em menor escala. No caso da Infraero, Viana explicou que o processo de concessão dos aeroportos deixou a empresa responsável por ativos menos rentáveis, reduzindo sua capacidade de gerar receitas adequadas.

Algumas autoridades portuárias federais enfrentam problemas semelhantes após mudanças na administração dos ativos portuários.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

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