Banco Central analisa inclusão financeira no Brasil e destaca avanços e desafios em 2026

Banco Central aponta que, apesar dos avanços na inclusão financeira, desafios como a efetividade do uso dos serviços ainda precisam ser enfrentados.

Pessoas contando moedas.

A inclusão financeira se configura como uma estratégia vital para garantir o acesso, uso e a qualidade dos serviços financeiros no Brasil. Em abril de 2026, o Banco Central (BC) divulgou um estudo abrangente sobre o tema, que revela avanços significativos nos últimos anos por meio de inovações tecnológicas e iniciativas conjuntas entre o setor público e privado.

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No entanto, desafios persistem.

O estudo do BC esclarece que a inclusão financeira, também chamada de bancarização ou cidadania financeira, ocorre quando adultos têm efetivo acesso a serviços financeiros oferecidos por instituições formais. Isso inclui crédito, poupança, pagamentos, seguros, previdência e investimentos.

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Contudo, apenas ter uma conta bancária não é suficiente; a verdadeira inclusão se dá com o uso real desses produtos e serviços.

Cenário da cidadania financeira no Brasil

De acordo com dados de 2024 analisados pelo Banco Central, aproximadamente 96,4% da população adulta brasileira (cerca de 175 milhões de pessoas) possui pelo menos um tipo de conta. No entanto, apenas 88% desses usuários são ativos, totalizando aproximadamente 160,8 milhões.

Além do acesso aos serviços financeiros, aspectos como a qualidade dos serviços prestados e a proteção ao consumidor são fundamentais para garantir o bem – estar financeiro da população.

Nos últimos anos, o Brasil tem avançado em iniciativas voltadas à promoção da cidadania financeira. O surgimento de soluções inovadoras como o Pix, Open Finance e Drex tem sido crucial nesse processo. Esses serviços estão sendo amplamente adotados por diferentes instituições financeiras e têm possibilitado que trabalhadores informais e jovens acessem produtos financeiros com custos reduzidos ou até mesmo gratuitos.

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Entre os principais avanços está o Pix, que se destacou como um vetor essencial para a inclusão da população de baixa renda. O sistema de pagamento instantâneo está em franca expansão e as fintechs têm liderado em volumes de transações nessa modalidade em comparação aos bancos tradicionais.

Desafios e oportunidades no crédito

No setor de crédito, cerca de 117 milhões de clientes possuem carteiras ativas. A expansão do crédito sem garantia tem chamado atenção: desde 2020, o número de brasileiros beneficiados triplicou, alcançando 41,7 milhões. Segundo o Banco Central, esse tipo de crédito oferece proteção contra choques financeiros e permite antecipação na aquisição de bens.

No entanto, devido aos altos índices de endividamento no país, é necessário cautela para não comprometer uma parte excessiva da renda mensal com empréstimos. A educação financeira também desempenha um papel crucial nesse contexto. O índice de letramento financeiro do Brasil na OCDEINFE mostra que apesar das melhorias desde 2015, houve uma queda nos conhecimentos sobre diversificação de riscos entre 2020 e 2023.

A importância dos microempreendedores individuais

Os microempreendedores individuais (MEIs) enfrentam desafios específicos em relação à inclusão financeira. Menos da metade deles mantém relacionamento formal com instituições financeiras; muitos gerenciam suas atividades como pessoas físicas.

Essa informalidade pode limitar a visibilidade dos negócios e impactar seu potencial crescimento.

As instituições financeiras digitais emergem como uma solução viável para essa questão. Elas oferecem serviços gratuitos ou a baixo custo que facilitam a gestão financeira diária sem a necessidade de agências físicas. Além disso, com a popularização do Pix e a aceitação crescente por empresas no sistema financeiro digitalizado, as fintechs têm contribuído significativamente para essa transformação.

Glossário da inclusão financeira

Entender os termos relacionados à inclusão financeira é fundamental. A bancarização refere – se à entrada no sistema bancário formal através da abertura da primeira conta corrente ou poupança. Os desbancarizados são aqueles que nunca tiveram conta em banco e constituem uma parcela menor da população adulta brasileira.

Já os subbancaizados possuem contas bancárias mas ainda utilizam serviços informais devido à percepção do sistema formal como caro ou complexo. Termos como microcrédito referem – se ao empréstimo de pequenos valores para empreendedores frequentemente sem garantias reais.

A educação financeira envolve habilidades práticas necessárias para tomar decisões informadas sobre orçamento e consumo diário enquanto o letramento financeiro diz respeito à capacidade de aplicar conhecimentos financeiros em situações cotidianas.