Aviação agrícola segue em alerta apesar da redução das tensões no Oriente Médio, diz Sindag
A aviação agrícola brasileira permanece preocupada com a volatilidade dos preços de combustíveis, que pode impactar a produção e a economia do setor.
A recente redução das tensões no Oriente Médio trouxe um alívio temporário para os preços internacionais do petróleo, mas a aviação agrícola brasileira continua em alerta devido à instabilidade no mercado de energia. A gasolina de aviação representa 51% da frota tripulada, enquanto o querosene corresponde a 30% e o etanol, 19% da aviação nacional.
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Claudio Oliveira, economista e diretor do Sindag (Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola), destacou que o combustível é um dos principais componentes dos custos operacionais no campo. Qualquer variação nos preços internacionais afeta diretamente o setor.
Para Oliveira, o índice de inflação da aviação agrícola utiliza como referência o preço do petróleo WTI (West Texas Intermediate), que é influenciado pelas flutuações do mercado global de petróleo.
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Impacto das Flutuações nos Preços
A pausa nas hostilidades entre Estados Unidos e Irã resultou em uma rápida queda nos preços. “O petróleo Brent caiu mais de 10%, sendo negociado próximo de US 87 por barril, enquanto o WTI recuou cerca de 9,4%, para US 81 por barril. Já o combustível da aviação agrícola teve uma diminuição de 2%, alcançando US 4,14 por galão”, informou à CNN Brasil.
O recuo do WTI abaixo dos US 80 nesta semana se deve às conversas entre Irã, Arábia Saudita e Omã. Segundo a agência Reuters, os iranianos estão buscando ampliar as discussões sobre a redução dos ataques no conflito e tentar obter maior controle sobre o Estreito de Ormuz, uma importante rota para embarcações petrolíferas da região.
Embora as negociações estejam avançando, ainda não há um acordo definitivo para cessar os ataques entre os países envolvidos. Essa incerteza mantém a pressão sobre os preços e custos de produção. A inflação relacionada ao combustível da aviação pode impactar diretamente os preços dos alimentos e, consequentemente, afetar a balança comercial brasileira, já que a aviação agrícola atende aos principais polos produtivos do país.
O Cenário Atual e Perspectivas Futuras
Apesar da queda recente nos preços, Oliveira enfatizou que eles permanecem altos em comparação com o início do ano, colocando pressão sobre as empresas que prestam serviços ao agronegócio. O Brasil conta com uma frota superior a 2.800 aeronaves agrícolas tripuladas, responsáveis pelo tratamento de mais de 100 milhões de hectares por safra.
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O combustível é essencial para operações como pulverização e semeadura realizadas por aviões e helicópteros. Oliveira acredita que a diminuição das tensões geopolíticas pode ajudar a aliviar os custos operacionais do setor. No entanto, uma possível escalada do conflito pode provocar reações rápidas no mercado internacional de petróleo.
“Se as tensões internacionais continuarem diminuindo, há uma tendência de menor pressão sobre os custos do setor. Por outro lado, se o conflito voltar a se intensificar, o mercado pode reagir rapidamente aumentando novamente os preços dos combustíveis”, ressaltou.
A volatilidade nos preços da energia é vista como um dos principais riscos para a aviação agrícola, um segmento crucial para a produtividade das lavouras brasileiras durante períodos de alta demanda por aplicações aéreas. Segundo dados do Sindag, aproximadamente 83% da produção agrícola está concentrada em apenas oito estados, onde também se encontra 87% da frota aeroagrícola.
Isso evidencia a sensibilidade do sistema produtivo ao aumento dos custos no setor.