Ataque de houthis a instalações sauditas marca nova frente de conflito no Oriente Médio

Os ataques dos houthis intensificam as tensões regionais, colocando em risco a segurança das rotas de petróleo e exacerbando o conflito no Oriente Médio.

Porta-voz militar dos houthis Yahya Sarea

No último sábado (25), militantes houthis do Iêmen, com apoio do Irã, atacaram instalações petrolíferas sauditas em dois portos localizados na costa do Mar Vermelho. Ao mesmo tempo, forças que recebem suporte da Arábia Saudita bombardearam posições dos houthis.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Esses novos ataques indicam a abertura de uma nova frente de conflito no Oriente Médio, em um cenário já marcado por tensões entre Estados Unidos e Irã, além de Israel e Hezbollah no Líbano.

O porta – voz militar houthi, Yahya Saree, informou que o grupo mirou as instalações da gigante estatal de petróleo Aramco em Jizan e Yanbu. Um vídeo verificado pela Reuters mostrava uma densa coluna de fumaça se erguendo em direção à refinaria situada em Jizan.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Fontes do setor de comércio na Ásia relataram danos em instalações de armazenamento de combustível e petróleo na cidade, mas a Aramco não se pronunciou sobre os incidentes.

Desdobramentos em Yanbu e Jizan

No porto de Yanbu, dois mísseis balísticos foram interceptados por uma bateria de mísseis Patriot, fabricada nos EUA e operada na Arábia Saudita por militares gregos. Essa informação foi confirmada por fontes de segurança da Grécia. Yanbu é o principal ponto de embarque de petróleo saudita no Mar Vermelho, responsável pela exportação de milhões de barris diariamente, e serve como rota alternativa ao Estreito de Ormuz, frequentemente bloqueado pelo Irã.

Jizan abriga uma refinaria com capacidade para processar 400.000 barris por dia e está localizada próximo à fronteira com o Iêmen. Em resposta aos ataques houthis, a força aérea do governo iemenita — reconhecido internacionalmente e apoiado pela Arábia Saudita — realizou bombardeios contra locais onde os mísseis e drones dos houthis eram lançados, além dos depósitos de armas nas províncias de Marib e al – Jawf.

Ainda na sexta – feira (24), a coalizão liderada pela Arábia Saudita anunciou que bombardeou posições militares dos rebeldes no porto controlado pelos houthis em Hodeidah. Autoridades iemenitas informaram que tanto os houthis quanto as forças governamentais estavam mobilizando tropas ao longo das frentes de batalha.

Leia também

Impacto da escalada no conflito

A guerra civil no Iêmen já causou centenas de milhares de mortes devido aos combates e à fome desde que os combatentes alinhados ao Irã tomaram Sanaa, a capital do país. Desde 2022, havia um cessar – fogo em vigor; no entanto, este foi rompido recentemente com os rebeldes se envolvendo mais ativamente no conflito maior que seus aliados iranianos enfrentam após os ataques dos EUA e Israel.

Na semana passada, os houthis anunciaram um bloqueio naval contra Riad. O líder do grupo, Abdul Malik al – Houthi, declarou que todas as instalações petrolíferas sauditas seriam alvos se a Arábia Saudita intensificasse seu envolvimento no combate.

Essa situação pode agravar as já existentes perturbações no fornecimento global de petróleo provocadas pela guerra com o Irã e contribuiu para uma alta significativa nos preços globais do petróleo; o barril do tipo Brent ultrapassou 100 dólares pela primeira vez desde maio.

Reações internacionais

No dia anterior aos ataques mais recentes, o presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu represálias contra os houthis após o grupo alegar ter atingido dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho na quinta – feira (23). A coalizão liderada pela Arábia Saudita reafirmou seu compromisso em proteger suas embarcações e interesses nacionais, prometendo responder “implacavelmente” caso os houthis continuem suas ações hostis.

O Ministério das Relações Exteriores do Iêmen sob controle houthi classificou os bombardeios em Hodeidah como o início de uma fase de “escalada por escalada”, responsabilizando Riad por quaisquer consequências decorrentes da situação. A emissora Al Masirah relatou que os ataques sauditas atingiram instalações da estatal telecomunicações em Hodeidah e também mencionou ofensivas contra a Ilha Kamaran.

A operação desse porto tem sido uma questão central nas preocupações internacionais durante a guerra civil iemenita que dura há quase dez anos.