Área coberta pelo seguro rural subvencionado cai 77% em quatro anos, segundo a CNSeg

A drástica redução na cobertura do seguro rural levanta preocupações sobre a sustentabilidade do setor agropecuário diante de desafios climáticos e financeiros.

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A área coberta pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) teve uma queda acentuada, passando de quase 14 milhões de hectares em 2021 para apenas 3,2 milhões de hectares em 2025. Essa informação é parte de um levantamento da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg.

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A redução, que representa cerca de 77% da área inicialmente beneficiada pelo programa federal, ocorre em um momento em que a safra 2026/27 está sendo planejada, sob a expectativa do retorno do fenômeno El Niño e em meio a um cenário de crédito mais restrito para o setor agropecuário.

Esse cenário se agrava devido aos altos custos de produção e juros elevados, resultando em margens financeiras mais apertadas para diversos segmentos da cadeia produtiva. Segundo a CNSeg, essa situação intensifica os impactos financeiros decorrentes de perdas causadas por eventos climáticos, como secas e chuvas excessivas, que podem comprometer a receita dos produtores e dificultar o pagamento das dívidas e novos investimentos.

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Importância do Seguro Rural

Dyogo Oliveira, presidente da CNSeg, enfatiza que expandir a cobertura do seguro rural é fundamental para mitigar os custos associados às perdas causadas por eventos climáticos. Ele explica que produtores segurados tendem a manter uma maior capacidade de investir e acessar crédito mesmo após enfrentarem perdas na produção.

Oliveira observa que a frequência crescente desses eventos já impacta não só os agricultores, mas também toda a cadeia produtiva, incluindo crédito, logística e indústria.

“Uma quebra de safra afeta o produtor, mas também alcança o crédito, a logística e os investimentos”, disse Oliveira. Ele ainda ressaltou que em tempos de margens reduzidas, é essencial que os agricultores busquem proteção através do seguro. “Se ele perde uma safra ou sofre uma perda parcial significativa, as dificuldades financeiras podem se agravar bastante”, alertou.

Gestão de Riscos no Agronegócio

Oliveira também destacou que os produtores expostos aos riscos climáticos precisam considerar novas medidas como a Medida Provisória (MP) para renegociação de dívidas. Contudo, ele apontou que essas dívidas geralmente chegam à fase de renegociação já inadimplentes e com custos mais altos do que quando estavam adimplentes.

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A gestão de riscos se tornou um fator crucial na concessão de crédito por parte dos bancos e instituições financeiras. Essas entidades agora realizam análises mais detalhadas sobre a capacidade financeira dos produtores, seu histórico produtivo e as estratégias adotadas para minimizar riscos na atividade agrícola.

Oliveira argumentou ainda que o aumento da cobertura do seguro tende a reduzir o custo médio das apólices. Quando há diminuição da cobertura total, permanecem seguradas principalmente as áreas com maior risco, o que eleva o valor médio das apólices.

Por outro lado, ao expandir a cobertura para propriedades com menor risco, o custo médio do sistema tende a cair.

Aumento nos Eventos Climáticos

Nos últimos anos, os riscos climáticos têm aumentado significativamente. Segundo dados apresentados por Oliveira, o Brasil registrou uma média anual de 2.500 eventos climáticos durante os primeiros cinco anos da última década; esse número subiu para cerca de 4.500 eventos anualmente nos cinco anos recentes. “Eventos extremos têm ocorrido com maior frequência em diversas regiões do país”, afirmou.

A diretora – executiva do Instituto Clima e Sociedade (iCS), Maria Netto, corroborou essa preocupação ao afirmar que adaptação climática agora precisa estar alinhada ao financiamento da produção agrícola. “Quanto mais preparados estiverem produtores e governos para administrar esses riscos, menores serão os impactos financeiros provenientes dos desastres”, declarou Netto.

Ela acrescenta que é necessário ampliar mecanismos permanentes de prevenção: “Adaptar – se não deve ser visto apenas como resposta a desastres; deve ser parte das decisões econômicas antes que os eventos ocorram.” Essa abordagem proativa pode reduzir significativamente as vulnerabilidades relacionadas ao clima e seus efeitos sobre o setor rural.