Ana Marcela Cunha Completa Travessia Histórica do Canal da Mancha após 20 Anos de Preparação
Ana Marcela Cunha estabelece novo recorde histórico ao completar desafiadora travességia de 42,9km no Canal da Manha.
Ana Marcela Cunha conquistou um marco pessoal e atlético ao completar a travessia do Canal da Mancha em uma jornada que superou expectativas de recorde profissional.
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A nadadora brasileira cruzou os 42,9 quilômetros entre as costas inglesas e francesas com o tempo de 8h25min29s. A marca não apenas estabeleceu seu novo recorde sul – americano na rota para homens e mulheres, mas também concretizou há muito mais do que era esperado: realizarva um sonho profundamente pessoal no esporte
O motor por trás dos grandes desafios
Desde cedo, Ana Marcela Cunha já tinha sua história ligada ao ambiente esportivo da Unisanta em Santos. Embora a atleta fosse uma campeã olímpica dona de dezessete medalhas mundiais — tendo alcançado picos como Pan – Americano ou Olimpíadas —, ela sempre manteve o desejo pela travessia marítima.
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“Era muito mais um sonho pessoal do que profissional”, conta a nadadora para reportagens sobre seu percurso histórico. Ela explica que atravessar Canal era algo vitalmente importante e independente das conquistas profissionais no esporte aquático
A preparação física: adaptar corpo à água fria
O desafio físico imposto pelo Canhão da Mancha exige adaptações profundas ao organismo, especialmente quando há uma espera de quase duas décadas entre os desejos iniciais e sua realização prática em 2024. A atleta precisou treinar não apenas o desempenho competitivo curto — como nos dez quilômetros —, mas também tolerância extrema.
“Treinar para o canal exige tolerar água fria, ganhar um pouco de peso, ter um corpo mais voltado para essa prova”, detalha Ana Marcela Cunha sobre a mudança fisiológica necessária no processo preparatório
Do treino na Represa Billings à travessia
A preparação foi intensa: antes do dia oficial da viagem pelo Canal da Mancha, ela realizou testes rigorosos nas águas geladas da Represa Billings em São Paulo. Sob as condições invernais e com temperaturas atingindo os 13 graus Celsius, uma sessão noturna duradoura exigiu que fosse nadada por dez horas e meia.
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No entanto, o foco não era apenas bater recordes; desde cedo ficou claro para Ela um objetivo maior ainda mais importante — simplesmente completar a prova de forma segura no Canhão. O clima externo agradável dos 24 graus na data marcada serviu como alento físico durante todo o mergulho
O dia do desafio: rotina até a chegada
A manhã da travessia começou em Santos às 3h15min com toda sua preparação meticulosa – café consumido, itens organizados na geladeira —, culminando à saída pelo táxi por volta das quatro horas.
No píer inglês, os equipamentos foram divididos pela equipe técnica e câmeras estavam prontas para registrar cada momento enquanto Ana Marcela se preparava no barco de apoio. Para proteger as áreas sensíveis dos antebraços e panturrilhas contra águas – vivas ou o frio intenso, foi aplicada uma camada especial que mistura vaselina, protetor solar e lanolina
A reta final da jornada
Durante a prova em si, quando passou pelas milhas do Canal até chegar ao litoral francês, ela sentiu um pico emocional na mente: “Parecia que eu nunca chegava naquele farolzinho”. A ansiedade cresceu com os minutos passando.
“Demorei para tirar os óculos porque pensei se isso poderia invalidar tudo”, conta sobre sua reação inicial após tocar as rochas no lado europeu. O alívio veio junto à confirmação de validade; o encerramento foi marcado pela presença emocionante dos pais e esposa,
Legado além das piscinas. A experiência da travessia também marcou uma pausa inédita em quase duas décadas dedicadas ao alto rendimento esportivo, permitindo – lhe desfrutar dessas “primeiras férias gigantes” na cidade vizinha a Londres
Além do esporte aquático, Ana Marcela Cunha usa seu palco para falar temas que vão muito além: ela se manifestou sobre questões como sexualidade ou direitos humanos femininos. A campeã busca mostrar um lado mais humano à figura atlética inatingível.
“Todas nós mulheres podemos ser quem a gente quiser ser”, afirma o atleta de elite quando fala publicamente com suas mensagens inspiradoras e conselhos às jovens nadadoras.”